19 agosto, 2009

Santas do pau oco

No meio de toda lambança política que o Brasil vive (e aliás, sempre viveu), recentemente começou outra disputa a la 'Dilma x Lina', só que atingindo diretamente a nós, o povo: a disputa entre Globo e Record. Primeiro, quero deixar bem claro que não vim aqui defender nem uma nem outra. O jornalismo desde muito tempo é revestido por uma série de fatores pra acontecer: fatores sociais, culturais, econômicos, empresariais... Isso não é novidade. A Record dedicou no dia 12 de agosto uma matéria de 10 minutos num jornal, tempo igual ao que a Globo usou quando falou sobre os bispos corrúptos da Universal, e atacou árduamente a rival. O fato é o que todos sabem: nem uma nem outra são santas. A Globo é líder há décadas, e isso não foi milagre de Deus ou de Nossa Senhora. É bom lembrar que nos anos 70 a Globo recebeu apoio da ditadura, que sempre teve amparo de grupos políticos, que seus dirigentes tinham alianças partidarias que "respingavam" na transmissão da emissora. Com o tempo ficou incrustrado na cabeça do brasileiro assistir a Globo (ou você não ligava primeiro nela, quando não sabia o que ia assistir?). E o outro fato é que os bispos da Universal usam, sim, meios ilícitos pra fazer o que sempre fizeram: convencer as pessoas, de todas as formas, que investir todo o seu dinheiro na Universal é uma coisa boa (pra eles). Eles usam contas em paraísos fiscais, lavam dinheiro dos fiéis em empresas-fantasmas, enxem o saco dos volúveis pra que doem mais e mais dinheiro, e sempre conseguem mais fiéis pra fazer o ciclo girar. Isso não é novidade há muito tempo. O que, ao meu ver, desencadeou toda essa tensão, é que só agora a concorrente (e por consequência os outros meios também) conseguiu material suficiente pra provar as acusações. E haja contra-ataque. A Record tem tirado leite de pedra pra atrair a atenção do espectador. Vale tudo: imitar, apelar, persuadir, trocar programação ás pressas. E haja dinheiro investido. Dinheiro que, alias, nunca se explicou direito de onde vem - mas sempre foi óbvio pra qualquer um. A Globo é tendenciosa, sim, mas isso é caracteristica inerente a qualquer grupo de comunicação grande e influente. E assim como a Record também é, e agora finge que não é. Quando, há uns 2 anos atrás, se soube que a Globo teria uma concorrente de peso, eu pensei: "bom, com maior concorrência, melhor fica a qualidade". Será? De qualquer forma, eu não troco minha tv a cabo por nada.

4 comentários:

danielfernandes ;) disse...

samuel melo neto disse...
rs, é curioso. nessas discussões sempre me vem à cabeça "A ética protestante e o espirito do capitalismo" de weber. ora, ora, te apresento nossos veículos de comunicação tendenciósos e politizados(na pior conotação possível). a parte lucrativa é a possibilidade de obrigar o pessoal da poltrona a se questionar sobre validade do que vivem consumindo. dani, por favor, nunca cancele sua tv a cabo ;)

18 de Agosto de 2009 20:27

danielfernandes ;) disse...

rider disse...
Pois é, Danhel! Infelizmente, também não troco minha TV a cabo embora não a utilize com frequência, mas tudo é válido. São grandes grupos de comunicação, mas, embora exista concorrência de qualidade e o crescimento da Record seja significativo, ainda terá de comer muito arroz com feijão pra fazer "plin, plin"! hehehe. E lembre-se, se vc gosta muito da TV a cabo, tendência vinda do estrangeiro, a Globo foi constrúida neste mesmo molde, mas lógico que com suas adaptações latinas! haha... Ai veio a Record e plagiou até mesmo o locutor! oO... Enfim, embora a Globo tenha mais mistérios e maracutaias do que o Senado, sou mais ela. Forte abraço, Loiro. Marcel/ Grupo abc, - São Paulo! ;) hahaha

Phil disse...

Mutantes, Jornal do crime (porque só transmitem crime) e o programa da Ana H que dão mais audiencia à Record. A programação é fraca demais

Thales Reis disse...

'A Globo é tendenciosa, sim, mas isso é caracteristica inerente a qualquer grupo de comunicação grande e influente'. Bem verdade. Não existe jornalismo imparcial. Isso é utópico. E essa fórmula que a Record utiliza de 'religião/dinheiro/política/meios de comunicação' sempre foi fadada a dar errado. Não se mistura esses químicos, não da certo. Enfim. Não existe santos quando se fala nos meios de mídia, isso eu fato. Mas nessa guerra, eu fico com Rede Globo.