28 julho, 2010

O Rio é aqui

Texto publicado em O Imparcial no dia 29 de julho de 2010.
Daniel Fernandes

Hoje (28), durante a apuração de uma matéria sobre a inundação no Campo das Malvinas, no Sá Viana, acompanhado do motorista Deyvison Oliveira, eu tive um revólver de cano longo apontado para a minha cabeça no meio da rua por um grupo de meliantes. A via era a Rua Professor Nascimento de Moraes, por volta das 16:30. Estacionamos o Gol vermelho em uma das esquinas da rua, que é larga e com a presença de um número considerável de pessoas. Adentramos uma das travessas para falar com os moradores que foram atingidos pelas águas da barragem. Enquanto entrevistávamos, um morador desconhecido, baixinho e com feições idosas, perguntou de quem era o carro. Quando o motorista respondeu que era nosso, o morador nos avisou: “Eu não sou amigo de bandido. Vocês tenham cuidado, que ele vai ser arrombado”.

Deixei a minha entrevistada, a moradora Maria do Rosário, e fomos direto para o carro, que estava a menos de 100 metros de nós, mas não estava à vista. Ao chegarmos perto do veículo, o grupo de meliantes estava ao lado. Um deles, de sopetão, puxou a minha camisa, meteu o braço em um pedaço de mangue que estava perto para tirar o revólver e direcionou-o para mim. O meliante pediu para “passar os aparelho tudinho”. Um outro integrante do grupo puxou do meu bolso meu relógio e meu gravador iPod, com o qual gravo as falas dos personagens para compor a matéria. Do motorista Deyvison, levaram o celular corporativo. Logo após, correram.

Após chegar ao jornal de volta, liguei para o comandante do policiamento metropolitano da Polícia Militar, Jefferson Teles informando o que ocorreu. Ele disse que imediatamente mandou viaturas para o local. O caso foi registrado no Plantão Central da Reffesa.

O mais surpreendente é a inércia dos moradores perante a situação. A rua em que estávamos não é povoada por casas de pau-a-pique. É toda composta por casas de tijolos. É relativamente larga e não estava deserta. Enquanto levantei e fui até o carro, olhei em volta. Vários moradores observavam a cena: senhoras, crianças, idosos, adultos. As expressões não eram de medo ou surpresa. Agiram como fariam em qualquer outra atividade rotineira. Sem surpreender-se.

07 julho, 2010

Só uma dúvida

É impressão minha ou esse vídeo quer vender a idéia de que São Luis é uma cidade de macumbeiros?

26 maio, 2010

Bem feito pra eles

Até agora não li uma única vez que a Veja mencionasse o Maranhão para algo positivo. Mas eu não culpo a revista, afinal, tem muita coisa errada aqui para ser corrigida. E esse é o papel do jornalismo.
Na última edição, saiu uma matéria sobre a compra de votos do PT pelo PMDB, partido da nossa ilustre governadora Roseana Sarney. Achei muito bem feito. Ela vinha com a corda e a âncora achando que podia tudo aqui no Maranhão. Mas não adianta muito. A população que vota nela, em maior parte, não sabe nem que a Veja existe. E se sabe, não vai entender patavinas do que diz a matéria, e vai se perguntar "o que diabos eu tenho a ver com isso?". Isso me entristece profundamente. Primeiro porque não é a primeira, nem a segunda vez que o Maranhão é exposto para o Brasil pelos Sarneys da pior forma possível. Desde que Roseana se meteu a ser Presidente que o Maranhão é tido como um celeiro de idiotice e roubalheira infinita. E PIOR! Sempre as reportagens fazem questão de expor - o que não deixa de ser verdade - que o povo não tá nem aí para a condição medíocre em que se encontra. Na verdade, o povo nas reportagens nem se dá conta de que está em uma situação medíocre. 
O maranhense, não sei porque, é tão fechado no seu mundinho pequeno e limitado, que quase não se abre para qualquer coisa nova que seja. É como se aquela coisa antiga, por mais ruim que seja, pelo menos dá a certeza de que vai estar ali. Enquanto as coisas novas são duvidosas. E fica nesse pingue-pongue: Jackson, Roseana, Flávio Dino, volta Roseana, agora Jackson quer de novo, e Flávio Dino. Tudo bem, a condição social em que se encontra a população não é muito propícia a um entendimento profundo de qualquer coisa que seja. Basta entender o superficial e tá tudo bem. 
Mas uma coisa eu acho engraçada: entra ano, sai ano, e os políticos maranhenses dão para o povo mais e mais do mesmo. Desgosto. E o público só vai reclamar quando aparece isso em rede nacional? Porque?
Se os políticos não tem vergonha disso, faço um apelo: que pelo menos o povo tenha vergonha de si mesmo.

E aprenda. Afinal, eles não se elegem sozinhos, não é?

19 maio, 2010

Pequena opinião sobre a Copa e o mundo


Toda vez que um lugar vai sediar um grande evento, esse lugar vira modinha. Agora é a África do Sul. Praticamente todo canal de TV a cabo que não seja de filme tem alguma coisa especial sobre a África (até canal pornô tem). Nesses três dias que compuseram essa semana, já assisti pedaços de vários no GNT, no National Geographic, no Globo News, e no Discovery. Agora mesmo acabei de assistir uma reportagem no Saia Justa (GNT) sobre mulheres casadas na África do Sul. E todos eles tem algo em comum: embora tentem passar a parte bonita da África, as belas paisagens, a fauna rica, etc, sempre vem a pobreza. Claro, afinal a pobreza de lá não é nada assim tão insignificante... 
Mas certos "tipos" de pobreza chamam a atenção nessas reportagens. A que eu acabei de assistir no GNT falava sobre a poligamia, ou seja, em partes da África do Sul o homem é casado com várias mulheres, que convivem harmoniosamente na casa, se revezam pra fazer o trabalho doméstico. E, no dia, ele tem que transar com aquela que trabalhou. E elas falam isso naturalmente, sabe? Até riram da cara da repórter quando ela disse que poligamia no Brasil é proibido. Mas disseram também que o marido não dá NADA pra elas: não dá roupa, não dá presentes, não dá dinheiro. Nada. Elas tem que conseguir tudo. Elas fazem a própria roupa, elas vão comprar comida com o dinheiro do marido, elas vão cozinhar, elas vão comprar os remédios delas, elas vão comprar as coisas que elas quiserem. Com que dinheiro, eu não sei. Mas elas disseram que compram. E falam isso com muita naturalidade.
Já tinha assistido outras coisas parecidas. Em certas "cidades tribais", se a mulher não tiver o clítores decepado, ela é uma traidora. É um ritual obrigatório. Se fugir é uma coisa horrível pra família. E a mulher ainda é vista como frágil e "domesticável" pelo marido e pela família. E não só a mulher: os homens tem que dar um monte do que tem pra o chefe da religião da tribo. E tem que participar de lutas, eventos sociais degradantes, um monte de coisa estranha. 
Eu digo é mesmo! Coisa estranha!
Aí vem na cabeça toda aquela questão de relativismo cultural, de "enxergar o outro com neutralidade", de "não julgar o outro pela minha cultura", de "não individualizar a minha opinião como se tudo que eu acredito e vivo fosse o correto e ponto final".
Mas convenhamos: uma sociedade onde a mulher é maltratada, mal-comida, dividida, fica ao relento, ainda tem que se subjulgar ao marido, e sem dinheiro nem direito legal nenhum, nem à saúde, é pra ser relativo?
Uma sociedade com uma religião louca que subverte os crentes à situações moralmente degradantes, lhes toma o que tem, obriga-lhes a decepar partes do corpo e pune severamente aqueles que ousam questionar qualquer coisa que seja, é pra ser relativo?
Um lugar que não tem estado, que não tem lei, e que os próprios cidadãos não podem pensar em criar algo parecido porque estão ocupados demais passando fome, necessidades, estão doentes e morrendo, é pra ser relativo?
Pior: todos achando isso altamente natural!

Desculpem, antropólogos. Mas a sociedade ocidental é mais civilizada e avançada, sim. E eu me sinto orgulhoso - e aliviado - de fazer parte dela.

17 maio, 2010

A trajetória de Telephone

Por X-Britney.com

Muito tem se falado em Telephone e Britney Spears, mas nem todos conhecem a trajetória da canção. Bem antes de adotar o nome artístico Lady GaGa, a nova-iorquina Stefani Germanottapassava o tempo compondo para cantores famosos, como a própria Britney Spears, Fergie,New Kids On the Block e Pussycat Dolls. Foi nessa época que ela escreveu a música Telephone — que entrou somente em 2009 no álbum The Fame Monster — em parceria com Rodney Jerkins, LaShawn Daniels e Lazonate Franklin. Quando GaGa se lançou como cantora solo e começou a cair no gosto popular, ela concedeu uma série de entrevistas onde sempre citava Britney Spears de uma forma muito positiva.
“Eu costumava a gritar por Britney e agora eu trabalho para ela. Ela foi a artista mais provocante do meu tempo e eu a amo tanto! Certamente não precisa de nenhuma dica minha. Britney é a rainha do pop e eu fui aprendendo com ela”, dizia GaGa.
Telephone se tornou uma grande obsessão dos fãs após uma declaração da extravagante cantora, que dizia ter escrito a música para Spears antes mesmo de sonhar em ficar com ela.
“Eu escrevi essa música para Britney há muito tempo, e ela simplesmente não quis usar em seu álbum”, explicou. “Mas tudo bem, porque eu amo a música, e é excitante ter que me apresentar com ela agora.”
GaGa teria convidado Spears para cantar com ela a rejeitada canção, mas negou ao seu pedido. A jamaicana Grace Jones esteve na lista de prefêrencias dela, mas também recusou ao convite. Foi então que Beyoncé entrou na jogada e gravou o dueto conhecido por todos. Darkchild, o produtor e também compositor de Telephone, foi bombardeado por mensagens de fãs querendo saber se Britney gravou a música e se poderiam ter acesso à sua versão, ou pelo menos parte dela. Ele exigiu no mínimo 100 mil pessoas o seguindo no Twitter — ou seja, um acréscimo de 88 mil na sua lista — para que “talvez” publicasse a canção na voz de Spears. A repercussão negativa foi imediata e ele tentou se explicar dizendo que a ideia de chegar ao número de seguidores foi apenas uma forma de ter tempo até conseguir a autorização de Britney e as partes envolvidas. Sem demora, ele revelou que a cantora deixou claro que não queria que sua versão deTelephone fosse divulgada, e ele definitivamente não iria contra ao seu pedido. Mas a obsessão dos fãs não parou por aí. Em maio de 2010, o site iLeaks.com surpreendeu ao disponibilizar um trecho da secreta canção na então voz de Spears. Agindo de forma ilegal ou não, o site cobrou a quantia de 750 dólares para quem quisesse ter acesso a versão completa — e um fã norte-americano decidiu pagar para acabar de vez com a história. A versão de Britney foi divulgada em vários sites importantes de música, e até gerou polêmica pois ninguém tinha certeza se era de fato a esperada versão de Spears.
“É uma versão demo, não tem nenhum tipo de mixagem. Não tenho ideia de como isso vazou. Quero dizer a todo mundo que eu fui pego de surpresa com o vazamento da música e eu nunca liberaria alguma coisa sem a aprovação da Britney, de Larry Rudolph ou da Jive Records”, revelou o produtor Darkchild no dia seguinte, confirmando que a versão era mesmo de Britney, apesar de existir uma segunda versão editada ainda guardada com ele.
Até a conceituada revista Rolling Stone não se conteve ao falar sobre Telephone em seu site, e teceu elogios à cantora.
“Telephone realmente parece muito com o sucesso de Britney lançado em 2007, Piece of Me, provando mais uma vez o quanto ela teve impacto sobre a sonoridade do pop atual. As pessoas adoram tirar sarro de Britney, e por que não, mas se Telephone prova alguma coisa, é que Blackout pode ser o álbum pop mais influente dos últimos cinco anos.”

05 maio, 2010

Doce Alice,Chata Alice

Domingo finalmente fui assistir a Alice, de Tim Burton. Não gostei. O filme cortou totalmente a essência da personagem e transformou a história em uma espécie de "Crônicas de Nárnia" mais bizarrinha e interessante. E olha que essa história já passou pelas mãos do Walt Disney, e nem ele a distorceu tanto. Mas eu confio no olhar do Tim Burton, dá para entender que a proposta do filme não era ser cult, era vender ingresso de cinema e ponto final. Tanto que, já no começo do filme, ele deixa bem claro que não vai contar a história original. O filme narra a trajetória de Alice já com 19 anos, e não os 9 do livro. Lá ela está em uma festa da nobreza da Inglaterra, até que descobre que está prestes a ser pedida em casamento. Desesperada, ela foge seguindo o coelho, e vai parar no País das Maravilhas, que ela visitou quando era pequena mas não se lembrava mais. Pela história vão se desenrolando uma série de rodeios estranhos, como por exemplo a história do sumiço das tortas da Rainha de Copas, que tinha no livro, e volta agora. E do Chapeleiro, que foi (pra mim) o personagem que mais sofreu com a adaptação. Ele passou de um cara inteligente por ser louco, a um louco por ser burro. De qualquer forma, o filme já arrecadou mais de R$ 232,6 milhões em sua estreia.
Mas cabe aqui fazer umas pequenas lembranças do que é a verdadeira Alice para que quem assista o filme em cartaz atualmente não comece a achar que o escritor Lewis Carroll era tão limitado quando o roteirista. O livro começa assim:

Se esse mundo fosse só meu, tudo nele seria diferente. Nada era o que é porque tudo era o que não é. Tudo o que é, por sua vez, não seria; e o que não fosse, seria. 
(fala de Alice)

Através dos parágrafos e mais parágrafos do livro, uma série de teorias e propostas filosóficas do autor são colocadas à prova pelas situações do personagem principal. As vezes ele tenta provar que as teorias são furadas. As vezes tenta provar que funcionam. Um exemplo é o conceito de "reflexo do Winnicott", que diz que a personalidade de alguém se forma baseada em um reflexo da criação materna ou paterna. Inclusive um pouco disso "respingou" no filme de Tim Burton, quando várias vezes Alice agiu pensando no que seu pai e sua mãe faziam para ela quando estavam por perto, seja bem ou mal. 
Outro fato é que a história é cheia de simbolismos. O que não é de se surpreender, afinal Lewis Carroll era professor de matemática. No capítulo 7 do livro," O Chá dos Loucos", a Lebre, o Chapeleiro e o Arganaz dão vários exemplos em que o valor do sentido de uma determinada frase não é o mesmo que o valor do contrário da frase. Por exemplo, o Chapeleiro diz uma vez que "Vejo o que como" não é o mesmo que "Como o que vejo". No ramo da matemárica, esse conceito é do da lógica inversa, ou seja, uma determinada operação não dá o mesmo resultado se inverter as posições. No filme, ele também dá exemplos dessa lógica, mas ficaram muito vagos. Não sei porque Tim Burton, que gosta tanto de bizarrices, não quis explorar esse lado do livro.
Mas ao meu ver a grande sacada de Alice é saber quem é ela mesma. Constantemente ela se questiona coisas como "Devo entrar numa festa sem ser convidada?" (quando entrou na toca do coelho), e ela vai se deparando com situações criadas pela própria mente dela (no que parece ser um sonho) para testa-la e para que ela própria se conheça. Vem aí aquele conceito do sonho inconsciente de Freud. Ela passa o filme seguindo impulsos, impulsos, e se deixa levar pela história. A Rainha de Copas poderia ser um outro ego da personagem, com tendências narcisistas. E o Chapeleiro representaria os questionamentos de Alice quanto à vida, o universo e tudo mais.
A história original, no fim, mostra Alice acordando do sonho e tendo as respostas para as perguntas existencialistas que tinha. O filme também mostra isso: no fim ela decidiu o que queria da vida após conhecer a si mesma. E os dois deixam a pergunta: será que nós mesmo nos conhecemos, independentemente da situação em que nos encontramos?


Observações:
- Eu particularmente ADORO a Alice no País das Maravílhas.
- Já li o livro.
- A melhor adaptação é a do filme de 1999, com a Whoopi Goldberg como o Gato.

30 março, 2010

Os melhores tweets do fim do BBB

A melhor:

@tenhoquefalar Pronto acabou. Agora, daqui duas semanas, todos voltaremos a pensar em Dourado como uma cor bonita.


E as outras:

@pauloricleite Se as pessoas querem lutar pela quebra de preconceitos e paradigmas, que seja na sociedade, e não com os dedinhos na Globo.com.

@doltcrow É...o cara que disse que "hetero não pega AIDS" ganhou o BBB por votação popular. E o presidente, vai ser Arruda ou Dilma?

@iguflips ah gente, vai se fuder. abram seus olhos. um dos caras mais inteligentes desse brasil ja disse que o dourado não é homofóbico.

@salomaobruno e isso demonstra mais uma vez que o Brasil ainda tem que crescer muito em conciencia social... esse é o exemplo que nos temos de vencedor

@SrCCOO Acabou? Por favor, entrem em suas contas bancárias, se tiver 100 reais a mais lá, eu corto o dedo minguinho do pé esquerdo.

@mauricioalbino Não me dei o direito de ser manipulado, oba!

@BlogdoNoblat Estão ouvindo o grito do primata?

@jeanwyllys_real O discurso do Bial teve a mesma função daquele na eliminação de Dicésar: desarmar uma bomba cuja explosão respingaria sobre o programa.

@Thassio_Marcelo Por essas e outras que Brasil merece ser terceiro mundo, vergonha e piada p/ nações do hemisfério norte. Aqui bandido controla a população.

@rosana BBB1-Bambam . BBB10-Dourado . Sente a evolução?


E, para concluir tudo isso...:

@Heri_ Medo, cara. As pessoas se importam demais com certas coisas tipo falar mal ou defender demais um PROGRAMA DE TV. Isso é triste.

24 março, 2010

Eu e você

Eu acho o ato de "falar do outro" fazendo juízo de valor uma baboseira. Não que eu não faça, e não que não seja divertido. Mas cansa. Só que essa semana eu comecei a analisar o discurso de todo mundo que vinha até mim com comentários a respeito de um terceiro - sobre o BBB, sobre a novela, o vizinho, o namorado. Comecei a perceber algo que até então passava batido nas minhas análises: o quanto da personalidade de quem fala aparece em meio ao discurso sobre o outro. Nunca tinha parado para tentar moldar a personalidade de alguém a partir dos comentários que ela faz sobre outra pessoa. E é interessante e estranho, sabe? É interessante porque quase ninguém que dá conta do tanto que mostra a si mesmo quando fala do outro, o que se torna uma porta escancarada para adentrar o íntimo daquela pessoa. E é estranho porque um pensamento recorre à outros que são surpreendentes, mas indesejáveis. 
Como essa história de Big Brother, por exemplo. Alguém veio falar para mim que Fulano traiu a amizade de Cicrano falando que Chiquinho beijou Mariazinha. À primeira vista parece que aquela pessoa ou é cara-de-pau o suficiente para criticar sabendo que tem o "dedo sujo", porque já fez algo parecido, ou de fato nunca faria coisa parecida, e condena imediatamente aquele - qualquer um - que viesse a faze-lo. Qual das duas opções? 
Bom, comecei a investigar. Para isso, tasquei-lhe um questionário que deixou a minha "vítima" encurralada, sem ter para onde fugir, e tendo que admitir as situações em que ela executaria a mesma ação  anteriormente alvo de críticas. Toda essa situação leva a outra reação: essa pessoa então deixou transparecer que adora críticas, mas abstêm-se de recebe-las mesmo sabendo que comete erros iguais ou piores aos que criticou. Não gosto muito dessas pessoas. Sou do tipo que tenta perdoar no momento que a pessoa admite que errou. No entanto, essa pessoa dificilmente se dará conta da sua carapuça.
Onde quero chegar é: talvez seja uma saída fugir do que o senso comum orienta ("olhe para si antes de criticar"). Talvez seja uma boa saída você primeiro criticar, e a partir desa crítica, saber se está totalmente fora dela, ou não. Pena que nem todo mundo tenha o nível inteligível suficiente para tornar essa medida eficaz.

Momento Hollywood

Fiz para mim uma lista de filmes que ainda não assisti, mas, por questões sociais, eu preciso faze-lo. Afinal a galera pergunta e eu sempre respondo que não. Agora responderei que sim, e com complementos. Um desses complementos é sobre Bastardos Inglórios, do Quentin Tarantino. Sem dúvida um dos melhores que ele já fez, e o melhor que o Brad Pitt (ator principal) já fez. MIL VEZES melhor do que o Curioso Caso de Benjamin Button, também com o Brad Pitt. Ô filme chato. 
Quem quer ser um milionário eu até achei legal, mas será que merecia mesmo o oscar de melhor filme?
Coco antes de Chanel também foi ótimo, mas não merecia um toque a mais no final?
Resta ver Guerra ao Terror, que ganhou o Oscar este ano. Nunca tem na locadora. Tomara que amanhã eu o encontre. Se o encontrar, comento com vocês. Até mais.

04 março, 2010

Nossa, o tempo passa rápido!

Hoje o blog completa 1 ano. Há um ano atrás, eu iniciaria minha vida como escritor textual de críticas infames, no ex-endereço let-it-flow-with-the-wind.blogspot.com. Hoje, após milhares de comentários, temas abordados, layouts e em novo endereço, continuamos com muitos dos problemas já comentados aqui. E até novos. A luta continua.

Estou de volta

Até que eu tentei. Mas sabia que eu não conseguiria ficar fora daqui por muito tempo. Tem uma tonelada de questões e raivas que andam afligindo a moral brasileira - não note minha prepotência - e eu preciso descarregar parte desse acúmulo aqui nesse cesto de roupa suja virtual. Voltarei também a postar frequentemente, prometo. Desta vez, como há muito o que dizer, dividirei meus assuntos em tópicos.

Serra x Dilma
Não consigo entender porque o tucanato não define logo o jogo para o obviamente candidato José Serra. Sou de opinião que é certo o que ele defende: um político lançar-se candidato à mais de 6 meses de distância do período corrento de lançamento da candidatura resulta em uma exposição excessiva, que é negativa para a futura campanha e para a imagem pública do candidato. À exemplo disso está aí Marina Silva, que, já tão exposta desde antes de sua candidatura, agora se vê constantemente em saias justas, com as quais não se preveniu moralmente e informacionalmente o suficiente para lidar, e volta e meia perde um eleitor por conta delas. Mas há assuntos que Serra poderia - e DEVERIA - abordar, mas não aborda. Política externa é um exemplo. Política de juros é outro exemplo. São assuntos que desde já, mesmo querendo não se lançar candidato cedo, mas já deve começar a abordar com os eleitores, para que eles se sintam confortados. Esse, na verdade, é o sentimento que eu, provável eleitor de Serra, sinto ao assistir os telejornais políticos. É desconfortável não ter segurança em quem se está querendo apoiar. Ao menos depois, quando Serra despencar nas pesquisas, não terá do que reclamar.

Cinema Internacional



Tenho visto muito poucos clichês cinematográficos ultimamente. É um bom sinal. Lembro que até o ano passado as salas de cinema eram devastadas por filmes gritantemente comerciais e emburrecidos, chegando até a ser chateador pensar que um cartaz tenta passar a idéia de um filme interessante, quando na verdade é mais um enlatado de Hollywood. Muitos filmes produzidos a esse modo se tornaram interessantes por percepção dos diretores. Mas a grande maioria não teve a mesma sorte, e por isso vaga no limbo dos filmes ignorados nas locadoras. Contrariando essa realidade, foram animadoras as opçoes que encontrei ao ir ao cinema na semana passada. Não optei pela melhor das opções. Assisti Simplesmente Complicado, com Merryl Streep e Steve Martin. Mas a história foi interessante, o enredo foi interessante, e os atores foram brilhantes. Até a trilha sonora foi boa. Entrei no filme com a menor fila da hora, pensando estar me submetendo a certas horas de tortura, mas levei um soco moral da diretora durante o filme. De quebra, ela ainda quebrou os paradigmas preconceituosos que eu carregava, de que o filme dirigido por ela seria melodramático e aborrecedor. Até que não. Agora sim posso dizer que vou assistir ao Oscar sem ter como objetivo principal pegar no sono depois de um dia de farra.

30 dezembro, 2009

Eu sentirei falta do meu amigo 2009

É, 2009... Sentirei saudades de você. Logo você, que foi tão bom comigo, em quase todos os momentos, terá que partir de uma forma tão inesperada? Inesperada porque de sopetão eu acordei para o fato de que o ano já estava terminando. Na verdade o fim do ano é uma data muito significativa, pelo menos por aqui. Eu passo horas pensando sobre o que passou e o uqe poderá vir. Não perco tempo pensando em como deveria ter sido isso e aquilo, afinal, já passou, né? Pra que remoer? E também não fico pensando "nossa, será que vai acontecer isso e aquilo"? Pra que? O que tiver que acontecer, vai acontecer. Eu prefiro refletir sobre o presente. O presente bruto e límpido. Isso inclui o que eu fiz para estar como estou hoje, e o que acontecerá se eu continuar como estou hoje. Assim fica mais simples e preciso o futuro.
Mas na verdade o futuro é incerto demais para alguém se dar ao luxo de tentar saber o que ele reserva. Imagina eu, que mal sei pensar logicamente. Eu acho outra perda de tempo ficar pensando demais sobre pensar ou não no futuro. Na verdade, eu descobri com 2009 que pensar demais não adianta, agir adianta. Um pouco de sorte e bons fluidos universais também ajudam, mas isso não é mais comigo; isso eu deixo pros meus colegas do outro plano.
O fato é que 2009 foi um pequeno grande ano. Foi grande em quesitos, como conquistas, economia e amizade. Mas foi pequeno como amor e amizade. Eu queria ter visto mais pessoas que gosto. Queria ter visto menos quem não gosto. Mas infelizmente por conta da minha indisciplina não deu. Fica para o próximo ano. Se 2009 foi tão bom assim comigo, que 2010 seja como Lula após FHC: seguindo o mesmo caminho.
Deixo então uma pequena mensagem para quem lê. Como bem disse Shakespeare,
A dúvidas são traidoras e fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar. Em 2010, vá mais longe do que você imaginou que poderia ir. Vale a pena.

A música de 2009:

Copacabana Club
Just Do It (tradução)
Você pode fazer uma música, cozinhar sua comida
Limpar sua casa, usar uma tanga
Ser tão rude, ou beijar minha boca.
Você pode furar seu nariz ou costurar suas roupas
Dançar sozinho ou fazer alguns amigos
Formar uma banda ou cantar junto.

Você pode mudar seu cabelo, sua casa, sua vida.
Você pode mudar seu sexo, seus amigos, sua esposa.
Você pode mudar seus tênis, suas calças, seu estilo.
Você mudar sua cara, seus peitos, seu sorriso.

Apenas porque você quer isto
porque você gosta disto, 
porque você quer isto,
não porque você viu.

Apenas mude porque você quer.
porque você gosta,porque você sente.
Apenas mude
Mas não porque você viu isto.

10 dezembro, 2009

A merda sobre a merda

Lula, em passagem por São Luis, disse:
"Eu não quero saber se o João Castelo é do PSDB. Se o outro é do PFL. Eu não quero saber se é do PT. Eu quero é saber se o povo está na merda e eu quero tirar o povo da merda em que ele se encontra."

A resposta é simples. Está sim, presidente.
Nunca na história deste país um presidente foi tão verdadeiro em suas colocações quanto Lula foi no Maranhão. Verdadeiro porque, no auge de sua imensa analfabetização, disse que "o bicho vai pegar" aqui na nossa pobre (em qual sentido?) capital. E disse também a frase acima.
O que quase ninguém vai ter coragem de noticiar é que as manifestações do povo foram abafadas. O PAC Rio Anil é repleto de irregularidades,  mutretas, e nuances corruptas. Não sou eu quem diz, são os jornais. Em protesto a isso, o povo pensou em aclamar por visibilidade para o presidente, mas as outras autoridades presentes impuseram a impedimentação.

Lula disse que queria saber se o povo estava na merda. Será se ele saiu daqui sabendo?

Por via das dúvidas, não deixou de tornar pública a diminuta figura eleitoral da tão vigorosa ministra Dilma Rousseff. E prometeu até 1 bi em investimentos! Se ele não tivesse feito essas duas coisas, sua passagem por aqui não estaria completa.

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