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10 novembro, 2010

Velho!

Vou comentar um e-mail que acabei de receber, com o nome "10 passos para manter-se jovem".

1. Deixe fora os números que não são essenciais. Isto inclui a idade, o peso e a altura. (Altura e idade até dá. Mas peso também?)

2. Mantenha só os amigos divertidos. Os depressivos puxam para baixo. (E os divertidos que só me embebedam? Tão acabando meu fígado)

3. Aprenda sempre (Depende do professor e depende da lição haha e depende do sono também)

4. Aprecie mais as pequenas coisas (Tem coisa pequena que não dá pra apreciar de jeito nenhum. Televisão, por exemplo, seus tarados)

5. Ria muitas vezes, durante muito tempo e alto. Ria até lhe faltar o ar. (Toda vez que eu fiz isso o professor me tirou da sala de aula)

6. Quando as lágrimas aparecerem, aguente e ultrapasse. (Um psicólogo ou uma garrafa de tequila andam mais rápido que essa ultrapasagem)

7. Rodeie-se das coisas que ama. (Antes tem que ir comprar né? Me dá o dinheiro?)

8. Tome cuidado com a sua saúde (ou seja, ignore todos os outros conselhos)

9. Não faça viagens de culpa. Faça uma viagem ao centro comercial, até a um país diferente (e a culpa pelo dinheiro?)

10. Diga às pessoas que ama que as ama a cada oportunidade (epa, ficou ambíguo. A cada oportunidade que elas me proporcionam?)

Ao final da análise, me senti tão velho...

19 maio, 2010

Pequena opinião sobre a Copa e o mundo


Toda vez que um lugar vai sediar um grande evento, esse lugar vira modinha. Agora é a África do Sul. Praticamente todo canal de TV a cabo que não seja de filme tem alguma coisa especial sobre a África (até canal pornô tem). Nesses três dias que compuseram essa semana, já assisti pedaços de vários no GNT, no National Geographic, no Globo News, e no Discovery. Agora mesmo acabei de assistir uma reportagem no Saia Justa (GNT) sobre mulheres casadas na África do Sul. E todos eles tem algo em comum: embora tentem passar a parte bonita da África, as belas paisagens, a fauna rica, etc, sempre vem a pobreza. Claro, afinal a pobreza de lá não é nada assim tão insignificante... 
Mas certos "tipos" de pobreza chamam a atenção nessas reportagens. A que eu acabei de assistir no GNT falava sobre a poligamia, ou seja, em partes da África do Sul o homem é casado com várias mulheres, que convivem harmoniosamente na casa, se revezam pra fazer o trabalho doméstico. E, no dia, ele tem que transar com aquela que trabalhou. E elas falam isso naturalmente, sabe? Até riram da cara da repórter quando ela disse que poligamia no Brasil é proibido. Mas disseram também que o marido não dá NADA pra elas: não dá roupa, não dá presentes, não dá dinheiro. Nada. Elas tem que conseguir tudo. Elas fazem a própria roupa, elas vão comprar comida com o dinheiro do marido, elas vão cozinhar, elas vão comprar os remédios delas, elas vão comprar as coisas que elas quiserem. Com que dinheiro, eu não sei. Mas elas disseram que compram. E falam isso com muita naturalidade.
Já tinha assistido outras coisas parecidas. Em certas "cidades tribais", se a mulher não tiver o clítores decepado, ela é uma traidora. É um ritual obrigatório. Se fugir é uma coisa horrível pra família. E a mulher ainda é vista como frágil e "domesticável" pelo marido e pela família. E não só a mulher: os homens tem que dar um monte do que tem pra o chefe da religião da tribo. E tem que participar de lutas, eventos sociais degradantes, um monte de coisa estranha. 
Eu digo é mesmo! Coisa estranha!
Aí vem na cabeça toda aquela questão de relativismo cultural, de "enxergar o outro com neutralidade", de "não julgar o outro pela minha cultura", de "não individualizar a minha opinião como se tudo que eu acredito e vivo fosse o correto e ponto final".
Mas convenhamos: uma sociedade onde a mulher é maltratada, mal-comida, dividida, fica ao relento, ainda tem que se subjulgar ao marido, e sem dinheiro nem direito legal nenhum, nem à saúde, é pra ser relativo?
Uma sociedade com uma religião louca que subverte os crentes à situações moralmente degradantes, lhes toma o que tem, obriga-lhes a decepar partes do corpo e pune severamente aqueles que ousam questionar qualquer coisa que seja, é pra ser relativo?
Um lugar que não tem estado, que não tem lei, e que os próprios cidadãos não podem pensar em criar algo parecido porque estão ocupados demais passando fome, necessidades, estão doentes e morrendo, é pra ser relativo?
Pior: todos achando isso altamente natural!

Desculpem, antropólogos. Mas a sociedade ocidental é mais civilizada e avançada, sim. E eu me sinto orgulhoso - e aliviado - de fazer parte dela.