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03 novembro, 2010

Observações sobre as eleições

"Governo terá a cara de Dilma", disse Lula
- Senhora Dilma Rousseff pode ter ganhado, mas nós, oposição, não morremos. Estaremos vivos - e atuantes. Não espere ela que só porque 40% do povo brasileiro quis que ela estivesse no poder (pq os outros 60% ou votaram em Serra, ou votaram nulo, em branco, ou não compareceram), que ela pode tudo. Estamos de olho.

- Não é que eu tenho medo da Dilma. Tenho medo dos outros que vão botar coisas na cabeça dela. Tenho medo, por exemplo, de ela suprimir completamente a liberdade de expressão. Ela cumprir com o prometido de manter a liberdade de expressão já é um grande passo.

- Essas eleições não trouxeram nada de novo para o Brasil. Os debates entre a sociedade foram poucos e pobres. Levantou-se poucas questões relevantes para o futuro da nação - e muita abobrinha foi posta à mesa.

- Marina Silva foi um grande furor, realmente. Mas, se eleita, governaria praticamente sozinha. Teria poucos apoios concretos (mais da oposição, com certeza, que é minoria no congresso).

- Marina Silva fez uma campanha linda.

- José Serra poderia ter dito, mostrado e rebatido muita coisa, mas não o fez. Não entendo o porquê. Falta de pessoal treinado para isso, talvez?

- Michel Temer deveria ocupar a função de mordomo no governo Dilma. Cara, pelo menos, ele já tem. (via @revistapessima).

- "Governo terá a cara de Dilma", diz Lula. Po, isso é uma ameaça ou o que?

- Essa eleição, sem dúvida, foi a mais chata dos últimos anos. Ninguém teve um pingo de senso de humor. A não ser pelo Plínio de Arruda Sampaio. Ele, sim, deu o tom que a campanha deveria ter desde o começo: direta, corajosa e clara.

- Ao contrário do que muitos pensam, o governo Dilma vai mudar algumas coisas do governo Lula, sim. Um ponto positivo disso é que o governo Lula ignorou medidas importantíssimas a serem tomadas, então Dilma será obrigada a tomar agora, sob pressão. Um ponto negativo é que pelo menos Lula tinha voz ativa sobre as vontades da escória política (Sarney e cia). Dilma não tem nenhuma.

- Todo o processo de eleição, desde o ano passado, até o dia da vitória, serviu para algo. Serviu para mostrar ao Brasil, em forma de manual, como é o processo de construção de uma desconhecida para candidata vitoriosa à Presidência.

- Tudo que Lula fez de bom no governo dele, ele destruiu tentanto eleger Dilma. Agora ela vai ter que pagar o pato.

16 setembro, 2010

Reificação da idiocracia

Saibam antes de ler:
1) Fernando Braga da Costa disse: A reificação configura-se como o processo pela qual, nas sociedades industriais, o valor (do que quer que seja: pessoas, relações inter-humanas, objetos, instituições) vem apresentar-se à consciência dos homens como valor sobretudo econômico, valor de troca: tudo passa a contar, primariamente, como mercadoria.

2) Idiocracia: significa "poder nas mãos de idiotas". Se você não sabe o que significa a expressão “Idiocracia”, não vai adiantar nada recorrer a um dicionário - mesmo online -, porque ela ainda não consta dos glossários ligüisticos do português. Mas idiocracia pode ser definida de várias maneiras: a democracia da idiotice; a popularização da idiotice; a aceitação da informação inútil como útil e por aí vai.


Dá para perceber como isso resume o VMB, premiação de música e vídeo musical voltada para o público jovem?
Eles (assim como toda a indústria cultural) transformam modos de vida, jeitos de pensar, jeito de vestir e métodos de manter relações entre pessoas em mercadorias que as pessoas consomem como "pacotes indentitários". Ou seja, formam uma grande vitrine de "caixas". Exemplo dessas caixas é o que representa o grupo Restart, grande ganhador da noite (na foto ao lado, que é bizarra, diga-se de passagem). Dentro dessas caixas eles colocam jeitos de pensar, de vestir, de se relacionar e de viver de determinada forma, fecham, e colocam um rótulo: Identidade Tal. Então, vendem esses pacotes identitários, que são eles de inúmeras formas, para que sirvam como "ingressos": aqueles que consumirem tal pacote passam a se enquadrar em determinado grupo social e a agir em determinado setor social. Tudo isso movimentado por uma enorme indústria fonográfica, cenográfica, e tudo-o-mais-gráfica.

O pior de tudo: é uma forma de afastar a atenção dos jovens para outros determinados assuntos, como participação nos conflitos e eventos da "pólis". Não que os jovens não possam consumir pacotes identitários e ter cérebro. Claro que podem. E também não significa que os jovens tenham obrigatoriamente que passar a vida inteira pensando na pólis. Mas esses (que tem certa voz ativa) são, cada vez mais, uma minoria. E na hora de votar, por exemplo, faz-se valer a vontade da maioria. E se essa maioria não sabe se tem vontade ou não, e porque deve ter, ou não, e o que deve exigir e o que não deve... comofas?

26 agosto, 2010

Está ruim, mas pode piorar

Eu sinceramente acompanho com atenção os horários eleitorais gratuitos (até pra rir, é bom). Mas, este ano, concordo em gênero, número e grau com o que Roberto Pompeu de Toledo escreveu na VEJA desta semana, quando diz que "o horário político na televisão é a hora daquela tristeza de ser brasileiro". Perdeu-se completamente o propósito de se fazer horário político gratuito. Toledo descreve perfeitamente:
Se a campanha é governista, desfilarão exuberantes plantações, obras públicas tocadas em ritmo febril, fábricas funcionando a todo o vapor, povo gozando de escandinavo nível de bem-estar. Se é de caráter nacional, serão mostrados em rápida sucessão o Cristo Redentor e os arranha-céus da Avenida Paulista, uma baiana e um gaúcho em seu cavalo. Tudo isso, claro, se fez presente no programa inaugural de Dilma Rousself, e não foi por acaso: é a campanha mais rica, nacional, governista e com mais tempo na TV. O programa teve ainda mais: uma espetacular sequência em que a candidata, à beira do Arroio Chuí, dialoga com o presidente Lula em rondonia, à beira do Rio Madeira, os dois em posição de aplicar "um abração no nosso povo, um abração do tamanho do Brasil", como disse Lula.
A verdade é ações como essa são o reflexo do estágio mental em que está o brasileiro: vivendo das aparências. No programa dela, aparece o Brasil perfeito, todo mundo sorrindo porque ela vai ser presidente, as grandes paisagens, como se ela tivesse esculpido à mão tudo aquilo, aparece construções enormes como se ela tivesse feito aquilo tudo sozinha, cabo por cabo, centímetro por centímetro. Mal sabe o povo, assintindo o programa dela, que tudo aquilo foi construído com anos e anos de luta do povo brasileiro - não do PT. 

Já no outro dia, o programa dela se resumiu a mostrar uma cena em que ela e Lula estão juntos na frente de uma fábrica às 5 horas da manhã. E Lula diz: "Nunca antes na história deste país, um presidente esteve na porta e uma fábrica para falar com seu povo às 5h da manhã". VOCÊS SABEM POR QUE ELE FEZ ISSO? Porque o TSE determinou que ele estava proibido de fazer campanha política para aliados durante o expediente de trabalho. 
Mas deixei estar do jeito que está. Por mais que digam que, se Dilma ganhar quem vai mandar é Lula, quem vai sentar na cadeira presidencial é ela. Quem vai tomar o cafezinho presidencial é ela. Quem vai morar no palácio é ela, quem vai receber visitas importantes é ela, quem vai ser recebida pela rainha da Inglaterra é ela, quem vai ter de resolver pepinos internacionais é ela. E o que ela vai fazer com tudo isso na mão? O povo tem a obrigação de saber desde já!

Por isso  é preciso que o horário eleitoral seja usado da forma para a qual ele foi criado. Para mostrar quem é o candidato, e no que ele acredita. Deveria haver, pelo menos, um horário delimitado para que ele fale obrigatoriamente em pessoa.Talvez com isso diminuíssem os gigantescos gastos com produções políticas dignas de filmes de Hollywood. Onde já se viu um programa político onde só aparecem aliados, cenas do Brasil, atores contratados, algumas pessoas entrevistadas, e o candidato, que é o principal, não fala?
Foi assim com Ricardo Murad, em um programa eleitoral dele que eu assisti nessa semana. Durante o tempo dele, Lula falou, Roseana falou, o narrador falou. Ele falou? Não.
Se o candidato falasse mais do que mostrasse cenas externas, jingles bonitinhos e aliados poderosos, o povo saberia quem eles realmente são. Porque isso não acontece? Estão com medo do que? Bom, convenhamos, pior é o povo que não percebe. E se na campanha eleitoral, a atuação já começa assim, o que será de nós quando os mascarados estiverem no poder? Se a máscara cair ou não, já vai ser tarde.

Realmente, Roberto. O horário político na televisão é a hora daquela tristeza de ser brasileiro.

26 maio, 2010

Bem feito pra eles

Até agora não li uma única vez que a Veja mencionasse o Maranhão para algo positivo. Mas eu não culpo a revista, afinal, tem muita coisa errada aqui para ser corrigida. E esse é o papel do jornalismo.
Na última edição, saiu uma matéria sobre a compra de votos do PT pelo PMDB, partido da nossa ilustre governadora Roseana Sarney. Achei muito bem feito. Ela vinha com a corda e a âncora achando que podia tudo aqui no Maranhão. Mas não adianta muito. A população que vota nela, em maior parte, não sabe nem que a Veja existe. E se sabe, não vai entender patavinas do que diz a matéria, e vai se perguntar "o que diabos eu tenho a ver com isso?". Isso me entristece profundamente. Primeiro porque não é a primeira, nem a segunda vez que o Maranhão é exposto para o Brasil pelos Sarneys da pior forma possível. Desde que Roseana se meteu a ser Presidente que o Maranhão é tido como um celeiro de idiotice e roubalheira infinita. E PIOR! Sempre as reportagens fazem questão de expor - o que não deixa de ser verdade - que o povo não tá nem aí para a condição medíocre em que se encontra. Na verdade, o povo nas reportagens nem se dá conta de que está em uma situação medíocre. 
O maranhense, não sei porque, é tão fechado no seu mundinho pequeno e limitado, que quase não se abre para qualquer coisa nova que seja. É como se aquela coisa antiga, por mais ruim que seja, pelo menos dá a certeza de que vai estar ali. Enquanto as coisas novas são duvidosas. E fica nesse pingue-pongue: Jackson, Roseana, Flávio Dino, volta Roseana, agora Jackson quer de novo, e Flávio Dino. Tudo bem, a condição social em que se encontra a população não é muito propícia a um entendimento profundo de qualquer coisa que seja. Basta entender o superficial e tá tudo bem. 
Mas uma coisa eu acho engraçada: entra ano, sai ano, e os políticos maranhenses dão para o povo mais e mais do mesmo. Desgosto. E o público só vai reclamar quando aparece isso em rede nacional? Porque?
Se os políticos não tem vergonha disso, faço um apelo: que pelo menos o povo tenha vergonha de si mesmo.

E aprenda. Afinal, eles não se elegem sozinhos, não é?

19 maio, 2010

Pequena opinião sobre a Copa e o mundo


Toda vez que um lugar vai sediar um grande evento, esse lugar vira modinha. Agora é a África do Sul. Praticamente todo canal de TV a cabo que não seja de filme tem alguma coisa especial sobre a África (até canal pornô tem). Nesses três dias que compuseram essa semana, já assisti pedaços de vários no GNT, no National Geographic, no Globo News, e no Discovery. Agora mesmo acabei de assistir uma reportagem no Saia Justa (GNT) sobre mulheres casadas na África do Sul. E todos eles tem algo em comum: embora tentem passar a parte bonita da África, as belas paisagens, a fauna rica, etc, sempre vem a pobreza. Claro, afinal a pobreza de lá não é nada assim tão insignificante... 
Mas certos "tipos" de pobreza chamam a atenção nessas reportagens. A que eu acabei de assistir no GNT falava sobre a poligamia, ou seja, em partes da África do Sul o homem é casado com várias mulheres, que convivem harmoniosamente na casa, se revezam pra fazer o trabalho doméstico. E, no dia, ele tem que transar com aquela que trabalhou. E elas falam isso naturalmente, sabe? Até riram da cara da repórter quando ela disse que poligamia no Brasil é proibido. Mas disseram também que o marido não dá NADA pra elas: não dá roupa, não dá presentes, não dá dinheiro. Nada. Elas tem que conseguir tudo. Elas fazem a própria roupa, elas vão comprar comida com o dinheiro do marido, elas vão cozinhar, elas vão comprar os remédios delas, elas vão comprar as coisas que elas quiserem. Com que dinheiro, eu não sei. Mas elas disseram que compram. E falam isso com muita naturalidade.
Já tinha assistido outras coisas parecidas. Em certas "cidades tribais", se a mulher não tiver o clítores decepado, ela é uma traidora. É um ritual obrigatório. Se fugir é uma coisa horrível pra família. E a mulher ainda é vista como frágil e "domesticável" pelo marido e pela família. E não só a mulher: os homens tem que dar um monte do que tem pra o chefe da religião da tribo. E tem que participar de lutas, eventos sociais degradantes, um monte de coisa estranha. 
Eu digo é mesmo! Coisa estranha!
Aí vem na cabeça toda aquela questão de relativismo cultural, de "enxergar o outro com neutralidade", de "não julgar o outro pela minha cultura", de "não individualizar a minha opinião como se tudo que eu acredito e vivo fosse o correto e ponto final".
Mas convenhamos: uma sociedade onde a mulher é maltratada, mal-comida, dividida, fica ao relento, ainda tem que se subjulgar ao marido, e sem dinheiro nem direito legal nenhum, nem à saúde, é pra ser relativo?
Uma sociedade com uma religião louca que subverte os crentes à situações moralmente degradantes, lhes toma o que tem, obriga-lhes a decepar partes do corpo e pune severamente aqueles que ousam questionar qualquer coisa que seja, é pra ser relativo?
Um lugar que não tem estado, que não tem lei, e que os próprios cidadãos não podem pensar em criar algo parecido porque estão ocupados demais passando fome, necessidades, estão doentes e morrendo, é pra ser relativo?
Pior: todos achando isso altamente natural!

Desculpem, antropólogos. Mas a sociedade ocidental é mais civilizada e avançada, sim. E eu me sinto orgulhoso - e aliviado - de fazer parte dela.

30 março, 2010

Os melhores tweets do fim do BBB

A melhor:

@tenhoquefalar Pronto acabou. Agora, daqui duas semanas, todos voltaremos a pensar em Dourado como uma cor bonita.


E as outras:

@pauloricleite Se as pessoas querem lutar pela quebra de preconceitos e paradigmas, que seja na sociedade, e não com os dedinhos na Globo.com.

@doltcrow É...o cara que disse que "hetero não pega AIDS" ganhou o BBB por votação popular. E o presidente, vai ser Arruda ou Dilma?

@iguflips ah gente, vai se fuder. abram seus olhos. um dos caras mais inteligentes desse brasil ja disse que o dourado não é homofóbico.

@salomaobruno e isso demonstra mais uma vez que o Brasil ainda tem que crescer muito em conciencia social... esse é o exemplo que nos temos de vencedor

@SrCCOO Acabou? Por favor, entrem em suas contas bancárias, se tiver 100 reais a mais lá, eu corto o dedo minguinho do pé esquerdo.

@mauricioalbino Não me dei o direito de ser manipulado, oba!

@BlogdoNoblat Estão ouvindo o grito do primata?

@jeanwyllys_real O discurso do Bial teve a mesma função daquele na eliminação de Dicésar: desarmar uma bomba cuja explosão respingaria sobre o programa.

@Thassio_Marcelo Por essas e outras que Brasil merece ser terceiro mundo, vergonha e piada p/ nações do hemisfério norte. Aqui bandido controla a população.

@rosana BBB1-Bambam . BBB10-Dourado . Sente a evolução?


E, para concluir tudo isso...:

@Heri_ Medo, cara. As pessoas se importam demais com certas coisas tipo falar mal ou defender demais um PROGRAMA DE TV. Isso é triste.

04 março, 2010

Estou de volta

Até que eu tentei. Mas sabia que eu não conseguiria ficar fora daqui por muito tempo. Tem uma tonelada de questões e raivas que andam afligindo a moral brasileira - não note minha prepotência - e eu preciso descarregar parte desse acúmulo aqui nesse cesto de roupa suja virtual. Voltarei também a postar frequentemente, prometo. Desta vez, como há muito o que dizer, dividirei meus assuntos em tópicos.

Serra x Dilma
Não consigo entender porque o tucanato não define logo o jogo para o obviamente candidato José Serra. Sou de opinião que é certo o que ele defende: um político lançar-se candidato à mais de 6 meses de distância do período corrento de lançamento da candidatura resulta em uma exposição excessiva, que é negativa para a futura campanha e para a imagem pública do candidato. À exemplo disso está aí Marina Silva, que, já tão exposta desde antes de sua candidatura, agora se vê constantemente em saias justas, com as quais não se preveniu moralmente e informacionalmente o suficiente para lidar, e volta e meia perde um eleitor por conta delas. Mas há assuntos que Serra poderia - e DEVERIA - abordar, mas não aborda. Política externa é um exemplo. Política de juros é outro exemplo. São assuntos que desde já, mesmo querendo não se lançar candidato cedo, mas já deve começar a abordar com os eleitores, para que eles se sintam confortados. Esse, na verdade, é o sentimento que eu, provável eleitor de Serra, sinto ao assistir os telejornais políticos. É desconfortável não ter segurança em quem se está querendo apoiar. Ao menos depois, quando Serra despencar nas pesquisas, não terá do que reclamar.

Cinema Internacional



Tenho visto muito poucos clichês cinematográficos ultimamente. É um bom sinal. Lembro que até o ano passado as salas de cinema eram devastadas por filmes gritantemente comerciais e emburrecidos, chegando até a ser chateador pensar que um cartaz tenta passar a idéia de um filme interessante, quando na verdade é mais um enlatado de Hollywood. Muitos filmes produzidos a esse modo se tornaram interessantes por percepção dos diretores. Mas a grande maioria não teve a mesma sorte, e por isso vaga no limbo dos filmes ignorados nas locadoras. Contrariando essa realidade, foram animadoras as opçoes que encontrei ao ir ao cinema na semana passada. Não optei pela melhor das opções. Assisti Simplesmente Complicado, com Merryl Streep e Steve Martin. Mas a história foi interessante, o enredo foi interessante, e os atores foram brilhantes. Até a trilha sonora foi boa. Entrei no filme com a menor fila da hora, pensando estar me submetendo a certas horas de tortura, mas levei um soco moral da diretora durante o filme. De quebra, ela ainda quebrou os paradigmas preconceituosos que eu carregava, de que o filme dirigido por ela seria melodramático e aborrecedor. Até que não. Agora sim posso dizer que vou assistir ao Oscar sem ter como objetivo principal pegar no sono depois de um dia de farra.

10 dezembro, 2009

A merda sobre a merda

Lula, em passagem por São Luis, disse:
"Eu não quero saber se o João Castelo é do PSDB. Se o outro é do PFL. Eu não quero saber se é do PT. Eu quero é saber se o povo está na merda e eu quero tirar o povo da merda em que ele se encontra."

A resposta é simples. Está sim, presidente.
Nunca na história deste país um presidente foi tão verdadeiro em suas colocações quanto Lula foi no Maranhão. Verdadeiro porque, no auge de sua imensa analfabetização, disse que "o bicho vai pegar" aqui na nossa pobre (em qual sentido?) capital. E disse também a frase acima.
O que quase ninguém vai ter coragem de noticiar é que as manifestações do povo foram abafadas. O PAC Rio Anil é repleto de irregularidades,  mutretas, e nuances corruptas. Não sou eu quem diz, são os jornais. Em protesto a isso, o povo pensou em aclamar por visibilidade para o presidente, mas as outras autoridades presentes impuseram a impedimentação.

Lula disse que queria saber se o povo estava na merda. Será se ele saiu daqui sabendo?

Por via das dúvidas, não deixou de tornar pública a diminuta figura eleitoral da tão vigorosa ministra Dilma Rousseff. E prometeu até 1 bi em investimentos! Se ele não tivesse feito essas duas coisas, sua passagem por aqui não estaria completa.

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08 dezembro, 2009

O dia em que meu relógio parou

Quando eu acordei hoje, o meu relógio estava marcando 13:35. Até aí, tudo bem. Me levantei, tomei suco com panetone, tomei banho, almocei (sim, eu tomo café e almoço juntos), e voltei pro quarto. O relógio ainda estava marcando 13:35. Isso me fez pensar: simbolicamente estático, se meu relógio parar, o que eu gostaria de estar fazendo naquele momento?
Trabalhando talvez. Quem sabe eu gostaria que o tempo parasse enquanto eu faço algo que me é prazeroso e útil a outros também, como meu trabalho. Será que isso é um bom momento para parar o tempo?
Ou me divertindo, talvez. Eu poderia querer parar o tempo enquanto  faço algo que pode ser considerado o ápice de todos os fins das atividades: o bem-estar próprio simples e conciso.
 E o Brasil? Será que valeria a pena parar o tempo e registrar um momento como uma eleição, por exemplo? A eleição no Brasil foi conquistada a duras penas, e mantida a  mais duras penas ainda. Pode ser considerado, inclusive, um diferencial brasileiro em relação ào países vizinhos, não pode? Em contrapartida, hoje apanha a duras marteladas. É refém da propaganda política (explícita e implícita). É refém da dominação doutrinatória imposta pela indústria do analfabetismo crítico de 90% dos brasileiros. Ou poderia ser o Movimento dos Caras Pintadas, o último momento que demonstrou o verdadeiro poder que o povo brasileiro possui sobre quem o tenta controlar. Mas que fique claro que, até o momento, foi o último. O povo foi enganado e amordaçado pelo próprio governante a quem confiou todas as suas esperanças. O Brasil tem essa característica irritante: ao se lembrar positivamente sobre um momento, vem automaticamente o contexto negativo em que ele estava inserido, ou foi precedido.
Para o Maranhão, eu nem sei. Tentei pensar em um momento digno de parar o tempo e apreciar, mas não pensei em nada. Só no célebre dia em que os estudantes apanharam da polícia quando Joao Castelo governada o estado. Mas preferi não cogitar parar este momento. Correndo, o tempo mostra muito mais do que este simples dia.
São Luis, então, esta mesma não me enviou momentos memoráveis. Quer dizer, convenhamos, a cidade não vivenciou grandes momentos nos últimos anos. A morosidade, a calma e tranquilidade, a apatia característica de São Luis até intrigam.
Frente a tudo isso, só o que me resta é pensar sobre mim mesmo. Decidi que poderia parar o tempo enquanto tenho o meu sono. Assim fico imparcial em relação aos momentos.
E a conclusão sobre tudo isso? Como já dizia Cazuza, não adianta pensar sobre isso. O tempo não para. Ainda bem.

08 novembro, 2009

Manipulação Politica ou irresponsabilidade?




Veja uma das questões da prova de Comunicação do Enade, realizado hoje em todo o país. A resposta considerada certa corresponde à letra C. Menos mal.

O ruim: escreveram errado o nome do presidente. O Luiz de Lula é com Z.

Texto: Ricardo Noblat
Foto: http://twitter.com/andreacozzolino

03 novembro, 2009

Fato notável



Qual dos dois tá mais certo? O Lula versão 2009, ou o Lula versão 2000?

02 novembro, 2009

Metáfora da Política, parte 2


A criminalidade toma conta da cidade e a sociedade põe a culpa nas autoridades. O cacique oficial viajou pro Pantanal, porque aqui a violência tá demais. E lá encontrou um velho índio que usava um fio dental e fumava um cachimbo da paz. O presidente deu um tapa no cachimbo, e na hora de voltar pra capital ficou com preguiça, trocou seu paletó pelo fio dental e nomeou o velho índio pra ministro da justiça. E o novo ministro chegando na cidade, achou aquela tribo violenta demais. Viu que todo cara-pálida vivia atrás das grades, e chamou a TV e os jornais, e disse: "Índio chegou trazendo novidade. Índio trouxe cachimbo da paz”. Todo mundo experimenta o cachimbo da floresta: dizem que é do bom, dizem que não presta. Querem proibir, querem liberar, e a polêmica chegou até o congresso. Tudo isso deve ser pra evitar a concorrência, porque não é Hollywood mas é o sucesso. O cachimbo da paz deixou o povo mais tranqüilo, mas o fumo acabou porque só tinha oitenta quilos. E o povo aplaudiu quando o índio partiu pra selva, prometeu voltar com uma tonelada. Só que quando ele voltou, "sujou"! A polícia federal preparou uma cilada. "O cachimbo da paz foi proibido,entra na caçamba, vagabundo! Vamô pra DP! Ê êê! Índio tá fudido porque lá o pau Vai comer!" Na delegacia só tinha viciado e delinquente. Cada um com um vício e um caso diferente. Um cachaceiro esfaqueou o dono do bar porque ele não vendia pinga fiado, e um senhor bebeu uísque demais, acordou com um travesti, e assassinou o coitado. Um viciado no jogo apostou a mulher, perdeu a aposta e ela foi seqüestrada. Era tanta ocorrência, tanta violência, que o índio não tava entendendo nada. Ele viu que o delegado fumava um charuto fedorento e acendeu um "da paz" pra relaxar. Mas quando foi dar um tapinha, levou um tapão violento e um chute naquele lugar. Foi mandado pro presídio e no caminho assistiu um acidente provocado por excesso de cerveja: uma jovem que bebeu demais atropelou am padre e os noivos na porta da igreja. E pro índio nada mais faz sentido, com tantas drogas porque só o seu cachimbo é proibido? Na penitenciária o "índio fora da lei" conheceu os criminosos de verdade. Entrando, saindo e voltando cada vez mais perigosos pra sociedade. “Aí, cumpádi, tá rolando um sorteio na prisão pra reduzir a superlotação. Todo mês alguns presos tem que ser executados, e o índio dessa vez foi um dos sorteados. E tentou acalmar os outros presos: "Peraí..., vamô fumar um cachimbinho da paz". Eles começaram a rir e espancaram o velho índio até não poder mais. E antes de morrer ele pensou: "Essa tribo é atrasada demais. Eles querem acabar com a violência, mas a paz é contra a lei e a lei é contra a paz". E o cachimbo do índio continua proibido, mas se você quer comprar é mais fácil que pão. Hoje em dia ele é vendido pelos mesmos bandidos que mataram o velho índio na prisão.

Essa música foi lançada em 1997.
Doze anos depois, a história se mantém idênticamente repetida. Todo dia. E a culpa, de quem é?

30 outubro, 2009

Daniel voltou das férias


Bom, eu estava de férias. Por que os blogueiros também não podem tirar férias? Afinal, pensar em assuntos e assuntos para tratar aqui é um trabalho e tanto. Ora tem muita coisa, ora tem pouca coisa... Bom, eu resolvi tirar férias da minha atividade intelectual cibernética porque já tava me irritando. Eu confesso que descobri dois fios de cabelo branco na cabeça (se é que isso é possível, pela cor do meu cabelo) por causa do blog. É verdade! Sabe, enquanto eu escrevia aqui, vinha aquela ânsia, aquela irritação, porque tem tanta coisa errada, e a gente quer sacudir as pessoas pra gritar "presta atenção, caral**", mas aí vem o pensamento que isso não surtiria efeito, e aí vem a ânsia por descobrir o que faria efeito, e mais ânsia por descobrir que nada faria efeito, e isso causa mais ânsia... Quer saber, tirei férias. Férias mesmo.

E pra comemorar, vim descontar a minha irritabilidade aqui. Primeira coisa irritante: as pessoas pergutando porque eu estou irritado. Caramba, isso irrita MUITO. na verdade, eu odeio que me perguntem qualquer coisa na hora da irritação.

E outra: passarinho de manhã, cantando na janela quando eu quero dormir. Não sei se isso vai parecer muito Fernanda Young, mas pô, Fernando de Noronha tá aí pra isso né? Larguem da minha janela!

Sabe o que é pior que isso? Quando vc tá com pressa, e vai fazer login em um site, e digita alguma coisa errada, e ele não faz o login. Nossa, acho que qualquer site deveria ter o dispositivo de login automático, porque isso é realmente MUITO irritante. Outra coisa que irrita também é formiga no açucareiro. Outro dia eu cheguei bêbado, fui fazer um café amargo com açúcar, daí deixei a tampa do açucareiro entreaberta e as formigas tomaram conta no dia seguinte. E po, o que eu faço com todo aquele açucar?!

Mas fazendo esse texto, sabe uma coisa que eu acabei de descobrir que irrita mais que tudo isso? A inércia do brasileiro. Pensando bem, se eu me mexesse um pouco mais, eu poderia impedir essas coisas irritantes descritas acima. Mas o brasileiro tem uma coisa grudada nas costas, tipo uma âncora, que puxa ele pra baixo e impede que ele se levante e tire as formigas do açucareiro, ou tire o passarinho da janela. Ele convive melhor aprendendo a lidar com o que não gosta.

Isso já começa a dar sinais de insalubridade mental para os blogueiros. Qualquer dia eu mudo de hobbie, e volto a falar de cultura. Mas fica a dica.

07 outubro, 2009

Lula, não custa parar e pensar

Faz tempo que eu não posto aqui, não é por falta de tempo ou coisa parecida. É por falta de assunto mesmo! A política tem estado muito fria ultimamente. O que eu poderia falar, além do fato de que um louco esquerdista se empoleirou na embaixada brasileira, burlou todas as leis da diplomacia internacional, e o Brasil o apóia como se tivesse protegendo um grande aliado político? A verdade é que o Brasil anda cometendo erro atrás de erro. Vou cita-los: Em 2008 o presidente da Bolívia, Evo Morales, tomou posse das refinarias e dos poços da "Petobás" (como diz Lula). Tomou posse MESMO, sem dar explicações ou indenizações. O que o Brasil fez? Recebeu uns trocadinhos de esmola pela conivência. No Irã este ano aconteceu a maior manifestação de democracia, de vontade de mudança, que o mundo não via há muito tempo. Mulheres, crianças, adultos e idosos saíram às ruas de um regime loucamente ditatorial e opressor e lutou pelos seus direitos, quando a eleição presidencial foi fraudada. O que o Brasil disse sobre isso? Foi contra, e convidou o presidente corrupto e louco a visitar o Brasil. Poderia ter ficado calado, não poderia? Assim como ficou calado quando Fernando Lugo do Paraguai obrigou o Brasil a pagar mais pela energia de Itaipu, quando na verdade ela foi construida e é mantida com dinheiro brasileiro. E ficou calado quando Rafael Correa do Equador tomou posse dos bens da Odebrecht e prendeu no país os 4 diretores da empresa, e o governo não moveu uma palha para ajudar. O governo atual tem se mostrado a cara de Lula. Em palanque, no mês de junho, ele disse "Eu estou emprestando dinheiro para o FMI! Assim, toma aí!" O nosso presidente diz "toma aí" para o nosso dinheiro, e ficamos coniventes com isso. A última de Lula foi: "não aceitamos ultimato de governo golpista". Presidente, saiba que o golpista na verdade é o louco empoleirado da embaixada brasileira. Saiba que golpista é o louco empoleirado na presidência do Irã. Saiba que golpista é o louco empoleirado na presidência da Venezuela. Saiba que golpista é o louco empoleirado na presidência do Senado Federal.

Por favor, presidente, atente para esse fatos e tome uma providência. Antes que alguém do New York Times diga que golpista é o louco empoleirado no governo brasileiro.

15 setembro, 2009

Senado aprova liberdade na internet durante as eleições


Nada como saber que ainda há um singelo bom senso entre nossos ilustres parlamentares. Eu realmente temia ter que fechar esse blog, mas, como não foi aprovada a censura, voltarei às minhas atividades corriqueiras. Ainda bem.

24 agosto, 2009

O partido das dissonâncias

O PT vem cometendo gafe atrás de gafe. É compreensível que aconteçam alguns percalços com partido governista em véspera de eleição, mas há determinadas situações que a coisa dá sinais de querer degringolar de vez. Um exemplo: Aloizio Mercadante, do PT-SP, divulgou na mídia inteira e inclusive no seu Twitter que renunciaria ao Conselho de Ética e à liderança do PT no Senado. Não contente com isso, nosso presidente entra na história e o convence a desistir, fazendo com que ele negasse o próprio adjetivo que usou para caracterizar sua decisão "irrevogável". Isso só expõe o nível de fragilidade do PT no momento, que ao meu ver é extremamente notável. Um partido como o PT não poderia estar tão fragilizado assim, mas está; e a culpa é sua em grande parte. Quando nasceu, o PT era formado por vários grupos ideológicos que aceitaram se unir com o propósito de não entrar para o governo, só defender seus interesses. Defendiam salários e trabalhos justos, melhor distribuição de renda, enfim, queriam um Brasil decente. Diziam inclusive que eram rígidos, que não fariam alianças, não aceitariam acordos e fariam valer sua vontade com a verdade. Pergunto a você: como você vê o partido hoje? Bem, obviamente se perdeu por completo no meio do caminho. Com a vitória de algumas prefeituras, depois alguns governos de estados, e depois a Presidência, o PT provou do doce veneno do escorpião - e jogou pro alto a máscara de revolucionário. O partido fez inúmeros acordos, muitos ilícitos e imorais. Fez inúmeras alianças, muitas delas por baixo dos panos, e não pra fins muito dignos. Chegaram os banqueiros, os lobistas, os laranjas, os mensaleiros. E o PT se vendeu instantaneamente ao capitalismo que tanto atacou. Obviamente que isso geraria dissidentes, afinal nem todos concordavam com toda bandalheira que existia. E saíram do PT Heloísa Helena, Luciana Genro e Chico Alencar, socialistas agora no PSOL. E saíram os intelectuais também: Francisco de Oliveira, Leandro Konder, Carlos Nelson Coutinho. E agora os ambientalistas (lê-se Marina Silva). E o que sobrou para o PT? Sobraram os sindicalistas: Lula, Mercadante, Dilma... Esses que todos nós conhecemos. Esses que se vendem pra empresários, recebem salários gordos e formam uma espécie de "Clube do Lulinha", onde tratam o voto popular como mero arrebanhamento de gado. Em suma, esse momento é um momento único: um presidente com mais de 80% de aprovação tem um partido fragilizado que gira em torno de si. Daí vem a boa notícia: esse fato é sinal de renovação no ar. God bless a oposição.