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03 novembro, 2010

Observações sobre as eleições

"Governo terá a cara de Dilma", disse Lula
- Senhora Dilma Rousseff pode ter ganhado, mas nós, oposição, não morremos. Estaremos vivos - e atuantes. Não espere ela que só porque 40% do povo brasileiro quis que ela estivesse no poder (pq os outros 60% ou votaram em Serra, ou votaram nulo, em branco, ou não compareceram), que ela pode tudo. Estamos de olho.

- Não é que eu tenho medo da Dilma. Tenho medo dos outros que vão botar coisas na cabeça dela. Tenho medo, por exemplo, de ela suprimir completamente a liberdade de expressão. Ela cumprir com o prometido de manter a liberdade de expressão já é um grande passo.

- Essas eleições não trouxeram nada de novo para o Brasil. Os debates entre a sociedade foram poucos e pobres. Levantou-se poucas questões relevantes para o futuro da nação - e muita abobrinha foi posta à mesa.

- Marina Silva foi um grande furor, realmente. Mas, se eleita, governaria praticamente sozinha. Teria poucos apoios concretos (mais da oposição, com certeza, que é minoria no congresso).

- Marina Silva fez uma campanha linda.

- José Serra poderia ter dito, mostrado e rebatido muita coisa, mas não o fez. Não entendo o porquê. Falta de pessoal treinado para isso, talvez?

- Michel Temer deveria ocupar a função de mordomo no governo Dilma. Cara, pelo menos, ele já tem. (via @revistapessima).

- "Governo terá a cara de Dilma", diz Lula. Po, isso é uma ameaça ou o que?

- Essa eleição, sem dúvida, foi a mais chata dos últimos anos. Ninguém teve um pingo de senso de humor. A não ser pelo Plínio de Arruda Sampaio. Ele, sim, deu o tom que a campanha deveria ter desde o começo: direta, corajosa e clara.

- Ao contrário do que muitos pensam, o governo Dilma vai mudar algumas coisas do governo Lula, sim. Um ponto positivo disso é que o governo Lula ignorou medidas importantíssimas a serem tomadas, então Dilma será obrigada a tomar agora, sob pressão. Um ponto negativo é que pelo menos Lula tinha voz ativa sobre as vontades da escória política (Sarney e cia). Dilma não tem nenhuma.

- Todo o processo de eleição, desde o ano passado, até o dia da vitória, serviu para algo. Serviu para mostrar ao Brasil, em forma de manual, como é o processo de construção de uma desconhecida para candidata vitoriosa à Presidência.

- Tudo que Lula fez de bom no governo dele, ele destruiu tentanto eleger Dilma. Agora ela vai ter que pagar o pato.

26 agosto, 2010

Está ruim, mas pode piorar

Eu sinceramente acompanho com atenção os horários eleitorais gratuitos (até pra rir, é bom). Mas, este ano, concordo em gênero, número e grau com o que Roberto Pompeu de Toledo escreveu na VEJA desta semana, quando diz que "o horário político na televisão é a hora daquela tristeza de ser brasileiro". Perdeu-se completamente o propósito de se fazer horário político gratuito. Toledo descreve perfeitamente:
Se a campanha é governista, desfilarão exuberantes plantações, obras públicas tocadas em ritmo febril, fábricas funcionando a todo o vapor, povo gozando de escandinavo nível de bem-estar. Se é de caráter nacional, serão mostrados em rápida sucessão o Cristo Redentor e os arranha-céus da Avenida Paulista, uma baiana e um gaúcho em seu cavalo. Tudo isso, claro, se fez presente no programa inaugural de Dilma Rousself, e não foi por acaso: é a campanha mais rica, nacional, governista e com mais tempo na TV. O programa teve ainda mais: uma espetacular sequência em que a candidata, à beira do Arroio Chuí, dialoga com o presidente Lula em rondonia, à beira do Rio Madeira, os dois em posição de aplicar "um abração no nosso povo, um abração do tamanho do Brasil", como disse Lula.
A verdade é ações como essa são o reflexo do estágio mental em que está o brasileiro: vivendo das aparências. No programa dela, aparece o Brasil perfeito, todo mundo sorrindo porque ela vai ser presidente, as grandes paisagens, como se ela tivesse esculpido à mão tudo aquilo, aparece construções enormes como se ela tivesse feito aquilo tudo sozinha, cabo por cabo, centímetro por centímetro. Mal sabe o povo, assintindo o programa dela, que tudo aquilo foi construído com anos e anos de luta do povo brasileiro - não do PT. 

Já no outro dia, o programa dela se resumiu a mostrar uma cena em que ela e Lula estão juntos na frente de uma fábrica às 5 horas da manhã. E Lula diz: "Nunca antes na história deste país, um presidente esteve na porta e uma fábrica para falar com seu povo às 5h da manhã". VOCÊS SABEM POR QUE ELE FEZ ISSO? Porque o TSE determinou que ele estava proibido de fazer campanha política para aliados durante o expediente de trabalho. 
Mas deixei estar do jeito que está. Por mais que digam que, se Dilma ganhar quem vai mandar é Lula, quem vai sentar na cadeira presidencial é ela. Quem vai tomar o cafezinho presidencial é ela. Quem vai morar no palácio é ela, quem vai receber visitas importantes é ela, quem vai ser recebida pela rainha da Inglaterra é ela, quem vai ter de resolver pepinos internacionais é ela. E o que ela vai fazer com tudo isso na mão? O povo tem a obrigação de saber desde já!

Por isso  é preciso que o horário eleitoral seja usado da forma para a qual ele foi criado. Para mostrar quem é o candidato, e no que ele acredita. Deveria haver, pelo menos, um horário delimitado para que ele fale obrigatoriamente em pessoa.Talvez com isso diminuíssem os gigantescos gastos com produções políticas dignas de filmes de Hollywood. Onde já se viu um programa político onde só aparecem aliados, cenas do Brasil, atores contratados, algumas pessoas entrevistadas, e o candidato, que é o principal, não fala?
Foi assim com Ricardo Murad, em um programa eleitoral dele que eu assisti nessa semana. Durante o tempo dele, Lula falou, Roseana falou, o narrador falou. Ele falou? Não.
Se o candidato falasse mais do que mostrasse cenas externas, jingles bonitinhos e aliados poderosos, o povo saberia quem eles realmente são. Porque isso não acontece? Estão com medo do que? Bom, convenhamos, pior é o povo que não percebe. E se na campanha eleitoral, a atuação já começa assim, o que será de nós quando os mascarados estiverem no poder? Se a máscara cair ou não, já vai ser tarde.

Realmente, Roberto. O horário político na televisão é a hora daquela tristeza de ser brasileiro.

04 março, 2010

Estou de volta

Até que eu tentei. Mas sabia que eu não conseguiria ficar fora daqui por muito tempo. Tem uma tonelada de questões e raivas que andam afligindo a moral brasileira - não note minha prepotência - e eu preciso descarregar parte desse acúmulo aqui nesse cesto de roupa suja virtual. Voltarei também a postar frequentemente, prometo. Desta vez, como há muito o que dizer, dividirei meus assuntos em tópicos.

Serra x Dilma
Não consigo entender porque o tucanato não define logo o jogo para o obviamente candidato José Serra. Sou de opinião que é certo o que ele defende: um político lançar-se candidato à mais de 6 meses de distância do período corrento de lançamento da candidatura resulta em uma exposição excessiva, que é negativa para a futura campanha e para a imagem pública do candidato. À exemplo disso está aí Marina Silva, que, já tão exposta desde antes de sua candidatura, agora se vê constantemente em saias justas, com as quais não se preveniu moralmente e informacionalmente o suficiente para lidar, e volta e meia perde um eleitor por conta delas. Mas há assuntos que Serra poderia - e DEVERIA - abordar, mas não aborda. Política externa é um exemplo. Política de juros é outro exemplo. São assuntos que desde já, mesmo querendo não se lançar candidato cedo, mas já deve começar a abordar com os eleitores, para que eles se sintam confortados. Esse, na verdade, é o sentimento que eu, provável eleitor de Serra, sinto ao assistir os telejornais políticos. É desconfortável não ter segurança em quem se está querendo apoiar. Ao menos depois, quando Serra despencar nas pesquisas, não terá do que reclamar.

Cinema Internacional



Tenho visto muito poucos clichês cinematográficos ultimamente. É um bom sinal. Lembro que até o ano passado as salas de cinema eram devastadas por filmes gritantemente comerciais e emburrecidos, chegando até a ser chateador pensar que um cartaz tenta passar a idéia de um filme interessante, quando na verdade é mais um enlatado de Hollywood. Muitos filmes produzidos a esse modo se tornaram interessantes por percepção dos diretores. Mas a grande maioria não teve a mesma sorte, e por isso vaga no limbo dos filmes ignorados nas locadoras. Contrariando essa realidade, foram animadoras as opçoes que encontrei ao ir ao cinema na semana passada. Não optei pela melhor das opções. Assisti Simplesmente Complicado, com Merryl Streep e Steve Martin. Mas a história foi interessante, o enredo foi interessante, e os atores foram brilhantes. Até a trilha sonora foi boa. Entrei no filme com a menor fila da hora, pensando estar me submetendo a certas horas de tortura, mas levei um soco moral da diretora durante o filme. De quebra, ela ainda quebrou os paradigmas preconceituosos que eu carregava, de que o filme dirigido por ela seria melodramático e aborrecedor. Até que não. Agora sim posso dizer que vou assistir ao Oscar sem ter como objetivo principal pegar no sono depois de um dia de farra.