Mostrando postagens com marcador Cultura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cultura. Mostrar todas as postagens

16 setembro, 2010

Reificação da idiocracia

Saibam antes de ler:
1) Fernando Braga da Costa disse: A reificação configura-se como o processo pela qual, nas sociedades industriais, o valor (do que quer que seja: pessoas, relações inter-humanas, objetos, instituições) vem apresentar-se à consciência dos homens como valor sobretudo econômico, valor de troca: tudo passa a contar, primariamente, como mercadoria.

2) Idiocracia: significa "poder nas mãos de idiotas". Se você não sabe o que significa a expressão “Idiocracia”, não vai adiantar nada recorrer a um dicionário - mesmo online -, porque ela ainda não consta dos glossários ligüisticos do português. Mas idiocracia pode ser definida de várias maneiras: a democracia da idiotice; a popularização da idiotice; a aceitação da informação inútil como útil e por aí vai.


Dá para perceber como isso resume o VMB, premiação de música e vídeo musical voltada para o público jovem?
Eles (assim como toda a indústria cultural) transformam modos de vida, jeitos de pensar, jeito de vestir e métodos de manter relações entre pessoas em mercadorias que as pessoas consomem como "pacotes indentitários". Ou seja, formam uma grande vitrine de "caixas". Exemplo dessas caixas é o que representa o grupo Restart, grande ganhador da noite (na foto ao lado, que é bizarra, diga-se de passagem). Dentro dessas caixas eles colocam jeitos de pensar, de vestir, de se relacionar e de viver de determinada forma, fecham, e colocam um rótulo: Identidade Tal. Então, vendem esses pacotes identitários, que são eles de inúmeras formas, para que sirvam como "ingressos": aqueles que consumirem tal pacote passam a se enquadrar em determinado grupo social e a agir em determinado setor social. Tudo isso movimentado por uma enorme indústria fonográfica, cenográfica, e tudo-o-mais-gráfica.

O pior de tudo: é uma forma de afastar a atenção dos jovens para outros determinados assuntos, como participação nos conflitos e eventos da "pólis". Não que os jovens não possam consumir pacotes identitários e ter cérebro. Claro que podem. E também não significa que os jovens tenham obrigatoriamente que passar a vida inteira pensando na pólis. Mas esses (que tem certa voz ativa) são, cada vez mais, uma minoria. E na hora de votar, por exemplo, faz-se valer a vontade da maioria. E se essa maioria não sabe se tem vontade ou não, e porque deve ter, ou não, e o que deve exigir e o que não deve... comofas?

03 dezembro, 2009

Carta a Ronnald Kelps sobre o cinema


Ronnald Kelps, em seu blog, comentou sobre a importância e os objetivos do projeto/evento Maranhão na Tela, uma mostra de cinema brasileiro fora do circuito comercial, totalmente gratuita, que ocorre em diversos pontos da cidade. Segundo ele, "O principal objetivo – além de contribuir para a difusão do cinema brasileiro – é formar uma platéia critica e sensibilizada para produção, a partir da apresentação de novas referências e da troca entre o público e os realizadores."


Caro Poeta Kelps, concordo totalmente que o público maranhense precisa de (na verdade grita por) mais criticidade e criatividade na produção e análise cinematográfica. Mas o que mata o projeto do Maranhão Na Tela é que os organizadores simplesmente lançaram o projeto, esperando que os maranhenses o aproveitassem. Não aproveitam. Hoje fui fazer a cobertura para o jornal impresso do evento na sede de O IMPARCIAL. Estava sendo exibido lá um ótimo filme sobre Jards Macalé, que confesso não o conhecer, mas adorei sua história. Sabe quantas pessoas tinham ali além de mim? 4. Isso atinge o objetivo do evento? Não.
É preciso ter um impulso propagandístico, um tipo de "dominação" ideológica para que a população entenda o quanto o cinema é construtivo. Em vez de faze-lo, fazem para coisas como Bumba Ilha e Marafolia. Você sabe que há um discurso doutrinatório conduzido pela mídia para levar o povo a esses lugares. O maranhense se acostumou a estar suscetível a essas doutrinações midiáticas, e fica de olho fechado para o que foge disso. O mesmo ocorre com os shows e mostras culturais pela cidade. Muito me entristece, quando visito Curitiba, São Paulo ou Brasília, que o Maranhão seja tão rico culturalmente quanto esses lugares (ou mais) e esteja jogando essa cultura no lixo, não a incentivando como deveria.
Não estou dizendo que foi um erro a "não-doutrinação". Em parte é culpa do hábito maranhense de consumir o imprestável. Mas em parte é pelo meio social que o estado possui historicamente: há anos o estado é negligenciado por parte dos circuitos culturais nacionais. Raramente temos aqui peças teatrais e shows nacionais. Só temos bandas de axé, forró e reggae circulando pelo meio "cultural". O que resulta nisso: quando a cultura vem, ninguém a reconhece como o tal.
Não estou aqui para menosprezar o maranhense, até porque o sou. Só digo o que eu vejo e percebo. O Maranhão só não cresce mais, culturalmente, por causa de seu povo.

A situação é crítica.