30 dezembro, 2009

Eu sentirei falta do meu amigo 2009

É, 2009... Sentirei saudades de você. Logo você, que foi tão bom comigo, em quase todos os momentos, terá que partir de uma forma tão inesperada? Inesperada porque de sopetão eu acordei para o fato de que o ano já estava terminando. Na verdade o fim do ano é uma data muito significativa, pelo menos por aqui. Eu passo horas pensando sobre o que passou e o uqe poderá vir. Não perco tempo pensando em como deveria ter sido isso e aquilo, afinal, já passou, né? Pra que remoer? E também não fico pensando "nossa, será que vai acontecer isso e aquilo"? Pra que? O que tiver que acontecer, vai acontecer. Eu prefiro refletir sobre o presente. O presente bruto e límpido. Isso inclui o que eu fiz para estar como estou hoje, e o que acontecerá se eu continuar como estou hoje. Assim fica mais simples e preciso o futuro.
Mas na verdade o futuro é incerto demais para alguém se dar ao luxo de tentar saber o que ele reserva. Imagina eu, que mal sei pensar logicamente. Eu acho outra perda de tempo ficar pensando demais sobre pensar ou não no futuro. Na verdade, eu descobri com 2009 que pensar demais não adianta, agir adianta. Um pouco de sorte e bons fluidos universais também ajudam, mas isso não é mais comigo; isso eu deixo pros meus colegas do outro plano.
O fato é que 2009 foi um pequeno grande ano. Foi grande em quesitos, como conquistas, economia e amizade. Mas foi pequeno como amor e amizade. Eu queria ter visto mais pessoas que gosto. Queria ter visto menos quem não gosto. Mas infelizmente por conta da minha indisciplina não deu. Fica para o próximo ano. Se 2009 foi tão bom assim comigo, que 2010 seja como Lula após FHC: seguindo o mesmo caminho.
Deixo então uma pequena mensagem para quem lê. Como bem disse Shakespeare,
A dúvidas são traidoras e fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar. Em 2010, vá mais longe do que você imaginou que poderia ir. Vale a pena.

A música de 2009:

Copacabana Club
Just Do It (tradução)
Você pode fazer uma música, cozinhar sua comida
Limpar sua casa, usar uma tanga
Ser tão rude, ou beijar minha boca.
Você pode furar seu nariz ou costurar suas roupas
Dançar sozinho ou fazer alguns amigos
Formar uma banda ou cantar junto.

Você pode mudar seu cabelo, sua casa, sua vida.
Você pode mudar seu sexo, seus amigos, sua esposa.
Você pode mudar seus tênis, suas calças, seu estilo.
Você mudar sua cara, seus peitos, seu sorriso.

Apenas porque você quer isto
porque você gosta disto, 
porque você quer isto,
não porque você viu.

Apenas mude porque você quer.
porque você gosta,porque você sente.
Apenas mude
Mas não porque você viu isto.

10 dezembro, 2009

A merda sobre a merda

Lula, em passagem por São Luis, disse:
"Eu não quero saber se o João Castelo é do PSDB. Se o outro é do PFL. Eu não quero saber se é do PT. Eu quero é saber se o povo está na merda e eu quero tirar o povo da merda em que ele se encontra."

A resposta é simples. Está sim, presidente.
Nunca na história deste país um presidente foi tão verdadeiro em suas colocações quanto Lula foi no Maranhão. Verdadeiro porque, no auge de sua imensa analfabetização, disse que "o bicho vai pegar" aqui na nossa pobre (em qual sentido?) capital. E disse também a frase acima.
O que quase ninguém vai ter coragem de noticiar é que as manifestações do povo foram abafadas. O PAC Rio Anil é repleto de irregularidades,  mutretas, e nuances corruptas. Não sou eu quem diz, são os jornais. Em protesto a isso, o povo pensou em aclamar por visibilidade para o presidente, mas as outras autoridades presentes impuseram a impedimentação.

Lula disse que queria saber se o povo estava na merda. Será se ele saiu daqui sabendo?

Por via das dúvidas, não deixou de tornar pública a diminuta figura eleitoral da tão vigorosa ministra Dilma Rousseff. E prometeu até 1 bi em investimentos! Se ele não tivesse feito essas duas coisas, sua passagem por aqui não estaria completa.

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08 dezembro, 2009

O dia em que meu relógio parou

Quando eu acordei hoje, o meu relógio estava marcando 13:35. Até aí, tudo bem. Me levantei, tomei suco com panetone, tomei banho, almocei (sim, eu tomo café e almoço juntos), e voltei pro quarto. O relógio ainda estava marcando 13:35. Isso me fez pensar: simbolicamente estático, se meu relógio parar, o que eu gostaria de estar fazendo naquele momento?
Trabalhando talvez. Quem sabe eu gostaria que o tempo parasse enquanto eu faço algo que me é prazeroso e útil a outros também, como meu trabalho. Será que isso é um bom momento para parar o tempo?
Ou me divertindo, talvez. Eu poderia querer parar o tempo enquanto  faço algo que pode ser considerado o ápice de todos os fins das atividades: o bem-estar próprio simples e conciso.
 E o Brasil? Será que valeria a pena parar o tempo e registrar um momento como uma eleição, por exemplo? A eleição no Brasil foi conquistada a duras penas, e mantida a  mais duras penas ainda. Pode ser considerado, inclusive, um diferencial brasileiro em relação ào países vizinhos, não pode? Em contrapartida, hoje apanha a duras marteladas. É refém da propaganda política (explícita e implícita). É refém da dominação doutrinatória imposta pela indústria do analfabetismo crítico de 90% dos brasileiros. Ou poderia ser o Movimento dos Caras Pintadas, o último momento que demonstrou o verdadeiro poder que o povo brasileiro possui sobre quem o tenta controlar. Mas que fique claro que, até o momento, foi o último. O povo foi enganado e amordaçado pelo próprio governante a quem confiou todas as suas esperanças. O Brasil tem essa característica irritante: ao se lembrar positivamente sobre um momento, vem automaticamente o contexto negativo em que ele estava inserido, ou foi precedido.
Para o Maranhão, eu nem sei. Tentei pensar em um momento digno de parar o tempo e apreciar, mas não pensei em nada. Só no célebre dia em que os estudantes apanharam da polícia quando Joao Castelo governada o estado. Mas preferi não cogitar parar este momento. Correndo, o tempo mostra muito mais do que este simples dia.
São Luis, então, esta mesma não me enviou momentos memoráveis. Quer dizer, convenhamos, a cidade não vivenciou grandes momentos nos últimos anos. A morosidade, a calma e tranquilidade, a apatia característica de São Luis até intrigam.
Frente a tudo isso, só o que me resta é pensar sobre mim mesmo. Decidi que poderia parar o tempo enquanto tenho o meu sono. Assim fico imparcial em relação aos momentos.
E a conclusão sobre tudo isso? Como já dizia Cazuza, não adianta pensar sobre isso. O tempo não para. Ainda bem.

03 dezembro, 2009

Carta a Ronnald Kelps sobre o cinema


Ronnald Kelps, em seu blog, comentou sobre a importância e os objetivos do projeto/evento Maranhão na Tela, uma mostra de cinema brasileiro fora do circuito comercial, totalmente gratuita, que ocorre em diversos pontos da cidade. Segundo ele, "O principal objetivo – além de contribuir para a difusão do cinema brasileiro – é formar uma platéia critica e sensibilizada para produção, a partir da apresentação de novas referências e da troca entre o público e os realizadores."


Caro Poeta Kelps, concordo totalmente que o público maranhense precisa de (na verdade grita por) mais criticidade e criatividade na produção e análise cinematográfica. Mas o que mata o projeto do Maranhão Na Tela é que os organizadores simplesmente lançaram o projeto, esperando que os maranhenses o aproveitassem. Não aproveitam. Hoje fui fazer a cobertura para o jornal impresso do evento na sede de O IMPARCIAL. Estava sendo exibido lá um ótimo filme sobre Jards Macalé, que confesso não o conhecer, mas adorei sua história. Sabe quantas pessoas tinham ali além de mim? 4. Isso atinge o objetivo do evento? Não.
É preciso ter um impulso propagandístico, um tipo de "dominação" ideológica para que a população entenda o quanto o cinema é construtivo. Em vez de faze-lo, fazem para coisas como Bumba Ilha e Marafolia. Você sabe que há um discurso doutrinatório conduzido pela mídia para levar o povo a esses lugares. O maranhense se acostumou a estar suscetível a essas doutrinações midiáticas, e fica de olho fechado para o que foge disso. O mesmo ocorre com os shows e mostras culturais pela cidade. Muito me entristece, quando visito Curitiba, São Paulo ou Brasília, que o Maranhão seja tão rico culturalmente quanto esses lugares (ou mais) e esteja jogando essa cultura no lixo, não a incentivando como deveria.
Não estou dizendo que foi um erro a "não-doutrinação". Em parte é culpa do hábito maranhense de consumir o imprestável. Mas em parte é pelo meio social que o estado possui historicamente: há anos o estado é negligenciado por parte dos circuitos culturais nacionais. Raramente temos aqui peças teatrais e shows nacionais. Só temos bandas de axé, forró e reggae circulando pelo meio "cultural". O que resulta nisso: quando a cultura vem, ninguém a reconhece como o tal.
Não estou aqui para menosprezar o maranhense, até porque o sou. Só digo o que eu vejo e percebo. O Maranhão só não cresce mais, culturalmente, por causa de seu povo.

A situação é crítica.

13 novembro, 2009

2012 catástrofes

O diretor Roland Emmerich é um veterano em filmes de hecatombes planetárias. No seu currículo constam os sucessos  Independence Day, O Dia Depois de Amanhã e o clássico do cinema trash Godzilla. Nada demais, afinal o ser humano tem esse apreço pela "justiça divina", pelas hipóteses de apocalípse. Mas a vasta experiência em filmes de ação do diretor parece não ter lhe ensinado a lição. Se o mundo estivesse acabando, provavelmente um prédio desabaria em você, e pronto. O cinema, ao contrário, dá ao espectador uma espécie de "visão divina" da questão. Emmerich teve nas mãos todas as ferramentas para um filme-catástrofe perfeito. Por um infeliz desconhecido motivo, não o fez.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que aquele que vai a um filme-catástrofe normalmente espera ver uma catástrofe. Espera ver cenas de ação bem-feitas, sequencias eletrizantes de efeitos especiais e, acima de tudo, espera ser impressionado. Quando se assiste ao trailler de 2012, se vê a seguinte cena: um monge corre por quilômetros na muralha da China até uma choupana para soar um aviso, mas descobre que é tarde demais, e uma onda gigantesca cobre as montanhas de mais de 8 mil metros, estraçalhando a choupana. Como essa, todas as outras cenas do trailer mostram lugares famosos em pedaços e os desastres mais improvaveis acontecendo. Seria animador, se todas as cenas de ação não estivessem reduzidas ao que se vê no trailer.
Emmerich em uma entrevista a um jornal americano, disse que pretendia não fazer mais um filme de catástrofe, mas uma uma espécie de Arca de Noé futurista. Ao que parece, partindo desse preceito, o diretor enrolou na história uma série de tramas dramáticos totalmente desnecessários. No filme, um cachorrinho se salva, o presidente americano (que é mostrado como uma pessoa perfeita) não quer dizer à filha que não se salvará com ela, o mocinho discute a relação com a mocinha, o bandido descobre a redenção. É óbvio que tem que ter um enredo, com personagens que conduzam o espectador pela história. Mas em plena ação, uma cena de sentimentalismo. Dá a impressão de ser a materialização do famoso clichê de "encher linguiça", da forma mais pura e simples.
No filme, um cinetista na Índia descobre que explosões solares culminarão no fim do planeta. Então uma organização superpoderosa trata de salvar todos os monumentos e objetos importantes, como a Mona Lisa. No meio disso, o escritor Jackson Curtis está divorciado e com seus filhos morando com a ex-mulher. Após pesquisar sobre o fim do mundo, ele acredita que este será em 2012. Quando chega a "data final", o mundo começa realmente a desmoronar e inicia-se então uma caçada pela sobrevivência. Ele pega os filhos e a ex-mulher e fogem, não conseguem vaga em um avião, mas conseguem outro. O namorado da ex-mulher precisa servir de co-piloto. Eles chegam à China, tentam entrar em uma barca para se salvar, mas não há vagas. A mãe então oferece sua vida para salvar a de seus filhos, mas todos acabam entrando.O mesmo enredo de Guerra dos Mundos (2005). Esse enredo já está tão comum, tão batido, que os roteiristas parece nem se darem mais ao trabalho de reler o que escrevem.
Jackson Curtis é interpretado pelo John Cusack, famoso pelas interpretações em filmes de comédia como Os Queridinhos da América. Não só ele como a Amanda Peet, que interpreta sua ex-mulher, demonstram terem levado as fracas interpretações na comédia para a ação. As cenas de romance não colam, e os atores não demonstram toda a sintonia necessária para sustentar o enredo.
No saldo final, todas as boas cenas de ação, aquelas que atraíram os espectadores, são encobertas por essas cenas de historinha pessoal que todo mundo já viu. E com elas, enrola-se, e enrola-se e enrola-se, até o desfecho final. Na hora de reacender as luzes, pode-se pensar: o filme acaba não sendo nem romântico, nem eletrizante. Nem pau, nem pedra. Pelo menos para Roland Emmerich e seus filmes apocalípticos, será o fim do caminho.

08 novembro, 2009

Manipulação Politica ou irresponsabilidade?




Veja uma das questões da prova de Comunicação do Enade, realizado hoje em todo o país. A resposta considerada certa corresponde à letra C. Menos mal.

O ruim: escreveram errado o nome do presidente. O Luiz de Lula é com Z.

Texto: Ricardo Noblat
Foto: http://twitter.com/andreacozzolino

03 novembro, 2009

Fato notável



Qual dos dois tá mais certo? O Lula versão 2009, ou o Lula versão 2000?

02 novembro, 2009

Metáfora da Política, parte 2


A criminalidade toma conta da cidade e a sociedade põe a culpa nas autoridades. O cacique oficial viajou pro Pantanal, porque aqui a violência tá demais. E lá encontrou um velho índio que usava um fio dental e fumava um cachimbo da paz. O presidente deu um tapa no cachimbo, e na hora de voltar pra capital ficou com preguiça, trocou seu paletó pelo fio dental e nomeou o velho índio pra ministro da justiça. E o novo ministro chegando na cidade, achou aquela tribo violenta demais. Viu que todo cara-pálida vivia atrás das grades, e chamou a TV e os jornais, e disse: "Índio chegou trazendo novidade. Índio trouxe cachimbo da paz”. Todo mundo experimenta o cachimbo da floresta: dizem que é do bom, dizem que não presta. Querem proibir, querem liberar, e a polêmica chegou até o congresso. Tudo isso deve ser pra evitar a concorrência, porque não é Hollywood mas é o sucesso. O cachimbo da paz deixou o povo mais tranqüilo, mas o fumo acabou porque só tinha oitenta quilos. E o povo aplaudiu quando o índio partiu pra selva, prometeu voltar com uma tonelada. Só que quando ele voltou, "sujou"! A polícia federal preparou uma cilada. "O cachimbo da paz foi proibido,entra na caçamba, vagabundo! Vamô pra DP! Ê êê! Índio tá fudido porque lá o pau Vai comer!" Na delegacia só tinha viciado e delinquente. Cada um com um vício e um caso diferente. Um cachaceiro esfaqueou o dono do bar porque ele não vendia pinga fiado, e um senhor bebeu uísque demais, acordou com um travesti, e assassinou o coitado. Um viciado no jogo apostou a mulher, perdeu a aposta e ela foi seqüestrada. Era tanta ocorrência, tanta violência, que o índio não tava entendendo nada. Ele viu que o delegado fumava um charuto fedorento e acendeu um "da paz" pra relaxar. Mas quando foi dar um tapinha, levou um tapão violento e um chute naquele lugar. Foi mandado pro presídio e no caminho assistiu um acidente provocado por excesso de cerveja: uma jovem que bebeu demais atropelou am padre e os noivos na porta da igreja. E pro índio nada mais faz sentido, com tantas drogas porque só o seu cachimbo é proibido? Na penitenciária o "índio fora da lei" conheceu os criminosos de verdade. Entrando, saindo e voltando cada vez mais perigosos pra sociedade. “Aí, cumpádi, tá rolando um sorteio na prisão pra reduzir a superlotação. Todo mês alguns presos tem que ser executados, e o índio dessa vez foi um dos sorteados. E tentou acalmar os outros presos: "Peraí..., vamô fumar um cachimbinho da paz". Eles começaram a rir e espancaram o velho índio até não poder mais. E antes de morrer ele pensou: "Essa tribo é atrasada demais. Eles querem acabar com a violência, mas a paz é contra a lei e a lei é contra a paz". E o cachimbo do índio continua proibido, mas se você quer comprar é mais fácil que pão. Hoje em dia ele é vendido pelos mesmos bandidos que mataram o velho índio na prisão.

Essa música foi lançada em 1997.
Doze anos depois, a história se mantém idênticamente repetida. Todo dia. E a culpa, de quem é?

30 outubro, 2009

Daniel voltou das férias


Bom, eu estava de férias. Por que os blogueiros também não podem tirar férias? Afinal, pensar em assuntos e assuntos para tratar aqui é um trabalho e tanto. Ora tem muita coisa, ora tem pouca coisa... Bom, eu resolvi tirar férias da minha atividade intelectual cibernética porque já tava me irritando. Eu confesso que descobri dois fios de cabelo branco na cabeça (se é que isso é possível, pela cor do meu cabelo) por causa do blog. É verdade! Sabe, enquanto eu escrevia aqui, vinha aquela ânsia, aquela irritação, porque tem tanta coisa errada, e a gente quer sacudir as pessoas pra gritar "presta atenção, caral**", mas aí vem o pensamento que isso não surtiria efeito, e aí vem a ânsia por descobrir o que faria efeito, e mais ânsia por descobrir que nada faria efeito, e isso causa mais ânsia... Quer saber, tirei férias. Férias mesmo.

E pra comemorar, vim descontar a minha irritabilidade aqui. Primeira coisa irritante: as pessoas pergutando porque eu estou irritado. Caramba, isso irrita MUITO. na verdade, eu odeio que me perguntem qualquer coisa na hora da irritação.

E outra: passarinho de manhã, cantando na janela quando eu quero dormir. Não sei se isso vai parecer muito Fernanda Young, mas pô, Fernando de Noronha tá aí pra isso né? Larguem da minha janela!

Sabe o que é pior que isso? Quando vc tá com pressa, e vai fazer login em um site, e digita alguma coisa errada, e ele não faz o login. Nossa, acho que qualquer site deveria ter o dispositivo de login automático, porque isso é realmente MUITO irritante. Outra coisa que irrita também é formiga no açucareiro. Outro dia eu cheguei bêbado, fui fazer um café amargo com açúcar, daí deixei a tampa do açucareiro entreaberta e as formigas tomaram conta no dia seguinte. E po, o que eu faço com todo aquele açucar?!

Mas fazendo esse texto, sabe uma coisa que eu acabei de descobrir que irrita mais que tudo isso? A inércia do brasileiro. Pensando bem, se eu me mexesse um pouco mais, eu poderia impedir essas coisas irritantes descritas acima. Mas o brasileiro tem uma coisa grudada nas costas, tipo uma âncora, que puxa ele pra baixo e impede que ele se levante e tire as formigas do açucareiro, ou tire o passarinho da janela. Ele convive melhor aprendendo a lidar com o que não gosta.

Isso já começa a dar sinais de insalubridade mental para os blogueiros. Qualquer dia eu mudo de hobbie, e volto a falar de cultura. Mas fica a dica.

14 outubro, 2009

Ensaio sobre o cinema brasileiro

O cinema brasileiro sofre um grande dilema. Eu particularmente acredito que esse dilema é causado pela dualidade, pela indecisão de preferência do público brasileiro.

Explico. Eu chamo de dualidade a seguinte questão: o cinema brasileiro deve se moldar, se reinventar, nos moldes estrangeiros (já que são esses que atraem público significativo ao cinema) ou o cinema brasileiro deve criar uma linguagem própria? O que se tem visto é que alguns filmes brasileiros tentam (em vão) plagiar o formato americao ou europeu, só que esse formato não condiz com a real cultura brasileira. O formato estrangeiro meio que torna o que é mostrado irreal, quando inserido no contexto de Brasil. Por outro lado, alguns diretores conseguiram transformar esse formato estrangeiro de forma que parecesse irreal mesmo, só que o filme admite isso. Admitido, passa a usar de outros artifícios para entreter a platéia, como o humor ou o escárnio - e tem se dado muito bem nisso.

Agora, outro ponto: alguns diretores conseguiram lapidar o formato brasileiro de forma que passou a ser uma coisa única, nova, interessante. Chama a atenção do espectador justamente por ser algo que foge do nosso senso comum cinematográfico, e convida quem assiste a participar dessa inovação. Tropa de Elite, apesar de todos os pesares, realizou essa proeza. Só que ela é para poucos. Há diretores que não conseguem dar esse mesmo tom ao filme, e acaba se tornando um daqueles clichês brasileiros - favela, nordeste ou classe média carioca.

Os principais diretores brasileiros já tomaram suas posições quanto ao formato que utilizarão. Fernando Meirelles, por exemplo, é um dos fundadores da vertente nacional americana que deu certo. Porém, seu gosto oscila. Alguns filmes em tons estrangeiros foram um tremendo sucesso. Outros filmes, já com tons brasileiros, caíram na mesmice. Quando ele tentou chegar ao bom tom brasileiro, como em "À Deriva", que co-produziu juntamente com Heitor Dhalia, aumentou demais seu calibre e causou uma distorção: o filme se torna confuso à primeira vista, o que afasta o espectador comum. Já Daniel Filho, diretor de Se Eu Fosse Você, abraçou o formato brasileiro e fez dele uma grande atração, talvez pelos anos que tenha passado na televisão. A verdade é que o formato brasileiro ainda é muito ligado ao formato televisivo. Digo melhor: o público brasileiro é muito televisivo. Não estou aqui para dizer se isso é bom ou ruim, mas é um fato notável. Cabe aos diretores e produtores tomarem sua decisão: arriscarão no escuro com um formato nacional, ou um formato estrangeiro?

Por que eu estou escrevendo este texto afinal? Bom, acabei de assistir o Salve Geral, filme de Sérgio Rezende. E é uma descepção. Mais um filme que tenta ficar na corda-bamba e acaba capengando. Salve Geral trata do desenrolar do dia em que São Paulo parou, quando a facção criminosa PCC ameaçou as autoridades queimando ônibus, carros, atirando em bancos, repartições públicas, etc. Uma espécie de Carandiru paulista.

 Então me veio a cabeça: por que há essa deformação do que tem tudo para ser bom? A melhor resposta para a minha resposta eu tentei resumir acima. Você tem outra para me ajudar?

07 outubro, 2009

Lula, não custa parar e pensar

Faz tempo que eu não posto aqui, não é por falta de tempo ou coisa parecida. É por falta de assunto mesmo! A política tem estado muito fria ultimamente. O que eu poderia falar, além do fato de que um louco esquerdista se empoleirou na embaixada brasileira, burlou todas as leis da diplomacia internacional, e o Brasil o apóia como se tivesse protegendo um grande aliado político? A verdade é que o Brasil anda cometendo erro atrás de erro. Vou cita-los: Em 2008 o presidente da Bolívia, Evo Morales, tomou posse das refinarias e dos poços da "Petobás" (como diz Lula). Tomou posse MESMO, sem dar explicações ou indenizações. O que o Brasil fez? Recebeu uns trocadinhos de esmola pela conivência. No Irã este ano aconteceu a maior manifestação de democracia, de vontade de mudança, que o mundo não via há muito tempo. Mulheres, crianças, adultos e idosos saíram às ruas de um regime loucamente ditatorial e opressor e lutou pelos seus direitos, quando a eleição presidencial foi fraudada. O que o Brasil disse sobre isso? Foi contra, e convidou o presidente corrupto e louco a visitar o Brasil. Poderia ter ficado calado, não poderia? Assim como ficou calado quando Fernando Lugo do Paraguai obrigou o Brasil a pagar mais pela energia de Itaipu, quando na verdade ela foi construida e é mantida com dinheiro brasileiro. E ficou calado quando Rafael Correa do Equador tomou posse dos bens da Odebrecht e prendeu no país os 4 diretores da empresa, e o governo não moveu uma palha para ajudar. O governo atual tem se mostrado a cara de Lula. Em palanque, no mês de junho, ele disse "Eu estou emprestando dinheiro para o FMI! Assim, toma aí!" O nosso presidente diz "toma aí" para o nosso dinheiro, e ficamos coniventes com isso. A última de Lula foi: "não aceitamos ultimato de governo golpista". Presidente, saiba que o golpista na verdade é o louco empoleirado da embaixada brasileira. Saiba que golpista é o louco empoleirado na presidência do Irã. Saiba que golpista é o louco empoleirado na presidência da Venezuela. Saiba que golpista é o louco empoleirado na presidência do Senado Federal.

Por favor, presidente, atente para esse fatos e tome uma providência. Antes que alguém do New York Times diga que golpista é o louco empoleirado no governo brasileiro.

01 outubro, 2009

Enem adiado, caos instalado.

Desde que se soube que o Enem, o Exame Nacional do Ensino Médio, seria passível de substituir o tradicional e arcaico vestibular, a tensão entre os estudantes e professores tem sido interminável. Começou aquele alvoroço: como vai ser a nova prova? O que vai mudar? Quem vai aceitar? O que eu vou perder com isso? O que eu vou ganhar? Os cursinhos, que anteriormente se pautavam em repassar ao aluno fórmulas preparadas de resolução (não todos, a maioria), se viram no desespero, afinal a nova prova fugiria de toda e qualquer fórmula que eles pudessem já ter preparado. Ela, finalmente, serviria para avaliar o quanto o aluno sabe, e não o quanto o aluno lembra ter ouvido do professor.

Pois bem, a data chegando, as preparações aumentando, e a tensão subindo. E agora, quinta-feira véspera da prova, a dita cuja foi cancelada. Um cara apareceu para uma jornalista no Estadão mostrando que teria a prova em mãos. Ela, muito esperta, fez a matéria relatando que a prova teria vazado. E o MEC, desesperado, cancelou. E agora, o que fazer?

Esses fatos geraram um grande rebuliço por parte das universidades. A USP e a UFRJ já recuaram na questão de aceitar ou não a nota do Enem. Outras, como UFF, UFBA e Unifesp se mostram indecisas se afinal vão mudar seu calendário oficial ou não. Eu particularmente não queria estar dependendo desse Enem este ano, como não estou. Toda essa transitoriedade de programação afeta muito o aluno que faz seu cronograma de estudo, tanto que esse assunto foi o mais comentado (e criticado) no Twitter hoje.

Só que convenhamos, o MEC teve suas razões em cancelar a prova. Que universidade confiaria em uma prova sabendo que foi noticiado que vazou? É justo com quem estudou pra caramba saber que alguns tiveram acesso à prova e passaram?

Bom, o fato é que o cancelamento já foi consumado, e agora alunos e professores terão mais tempo pra estudar. E terão que acumular mais tensão, afinal algumas universidades poderão cancelar a nota do Enem como vestibular. Mais um exemplo pra provar que vida de aluno pré-universitário é fogo.