30 agosto, 2009

Cartas a Frank Lima pelo blog, parte 2

Post: O brasileiro não pesquisa sobre a vida de seu candidato antes de votar

Oi frank! nossa, muito legal esse podcast, e a locutora tem a voz ótima. Bom, eu como jornalista voltado pra política, me sinto surpreso com a negligência do povo brasileiro sobre essa questão do voto. Só pra começar o comentário, vale lembrar que inúmeras pessoas morreram, foram torturadas, foram exiladas, foram espancadas pra que o brasileiro pudesse ter esse direito de votar e o eleitor atual simplismente passa por cima disso e diz: "eu não dou a mínima para o meu voto". Segundo que o povo brasileiro tem um histórico muito antigo de esquecimento. Na república velha o voto era moeda de troca por comida, abrigo, trabalho, dentre outros. Na república pós-ditadura, foi propagada a idéia de que o Brasil teria conquistado tudo, que a democracia brasileira chegara a seu apogeu, e isso indiretamente fez o brasileiro simplismente sentar e pensar "Não tenho mais participação no que acontece no meu país. a culpa do que acontecer vai ser deles." Terceiro, que é mais do que cômodo que isso continue, afinal 90% da classe parlamentar-governamental vive disso certo? Nada mais válido do que deixar no ar a idéia de que não tem jeito, que esse é o sistema e cabe a nós faze-lo girar. O que nunca se fala é que tem, sim, jeito de fazer esse ciclo girar do lado contrário, e isso começa com o voto. Alias, começa justamente estudando o voto. O processo democrático não se centra só no ato de fazer valer a opinião, mas também de entender o contexto pra que essa decisão seja benéfica pra maioria. Vendendo seu voto, ou o jogando fora como lixo, como fazem uns e outros principalmente das áreas mais analfabetas do brasil, perde-se completamente o conceito de democracia de que tanto se fala na teoria. Onde eu quero chegar é: concordo completamente com o audio, e ainda digo que não pesquisar sobre o candidato no ato do voto não é só um malefício, mas é parte integrante de uma cadeia de tumores na consciencia da nação, e precisa-se urgentemente de uma cura pra isso, ou o Brasil vai continuar empacado politicamente.

Escrito em: 25 de Agosto de 2009 01:41

27 agosto, 2009

Cartas a Frank Lima pelo blog, parte 1

Post: Lula é culpado por várias sacanagens do Senado.

Frank, embora eu seja completamente anti-PT e anti-PMDB, eu tento ser o mais realista possível quanto à questão Lula. Lula na minha opinião não passa de um paspalho. Partindo desse princípio, ele está mais ou menos isento de algumas afirmaçoes que vc fez no seu texto. Porque eu digo isso? Bem, vc vai concordar comigo se aceitar trocar os "Lula" do seu texto por "PT". Toda essa crise se resume basicamente em uma única expressão: disputa partidária. Lula desencadeou toda essa disputa quando se elegeu: ele colocou no governo, ao seu lado, pessoas de extrema falta de caráter, de extrema falta de escrúpulos, dentre outras faltas. Lula se deixou levar completamente por essas pessoas, visto que é mais do que perceptível pra qualquer alfabetizado que ele carece de opinião e inteligência própria. Através dessas pessoas que chegaram ao poder através de Lula (quer exemplos? Dilma, Dirceu, Genoíno, e o próprio Sarney) começaram um jogo de manipulação de tal forma que começou a valer de tudo pra se aliar ao poder. Ser do partido governista (ou aliados) hoje significa ter inúmeros benefícios que fogem completamente do conceito de partido político e até mesmo de democracia. Que político minimamente ganancioso fugiria dessa oportunidade? Bem, agora, em véspera de eleição, todo esse esquema começa a dar sinais de implosão, afinal alguma parcela dessa maracutáia toda foi exposta de tal modo que compromete a perpetuação de tudo isso. E a oposição começa a botar quente pra que acabe. Enquanto isso acontece, que se lasque o povo brasileiro, que se lasque a constituição e a idéia de Estado federalista democrático. Lula, pra mim, começou como um mero figurante desse teatro, e agora foi promovido a quebra-galho.

Escrito em: 19 de Agosto de 2009 23:53

26 agosto, 2009

Só uma reflexão

Todo jardim começa com uma história de amor.
Antes que uma árvore seja plantada, ou um lago construído, é preciso que eles tenham nascido na alma.
Quem não planta jardins por dentro, não planta jardins por fora.
Nem passeia por eles.


Rubem Alves

24 agosto, 2009

O partido das dissonâncias

O PT vem cometendo gafe atrás de gafe. É compreensível que aconteçam alguns percalços com partido governista em véspera de eleição, mas há determinadas situações que a coisa dá sinais de querer degringolar de vez. Um exemplo: Aloizio Mercadante, do PT-SP, divulgou na mídia inteira e inclusive no seu Twitter que renunciaria ao Conselho de Ética e à liderança do PT no Senado. Não contente com isso, nosso presidente entra na história e o convence a desistir, fazendo com que ele negasse o próprio adjetivo que usou para caracterizar sua decisão "irrevogável". Isso só expõe o nível de fragilidade do PT no momento, que ao meu ver é extremamente notável. Um partido como o PT não poderia estar tão fragilizado assim, mas está; e a culpa é sua em grande parte. Quando nasceu, o PT era formado por vários grupos ideológicos que aceitaram se unir com o propósito de não entrar para o governo, só defender seus interesses. Defendiam salários e trabalhos justos, melhor distribuição de renda, enfim, queriam um Brasil decente. Diziam inclusive que eram rígidos, que não fariam alianças, não aceitariam acordos e fariam valer sua vontade com a verdade. Pergunto a você: como você vê o partido hoje? Bem, obviamente se perdeu por completo no meio do caminho. Com a vitória de algumas prefeituras, depois alguns governos de estados, e depois a Presidência, o PT provou do doce veneno do escorpião - e jogou pro alto a máscara de revolucionário. O partido fez inúmeros acordos, muitos ilícitos e imorais. Fez inúmeras alianças, muitas delas por baixo dos panos, e não pra fins muito dignos. Chegaram os banqueiros, os lobistas, os laranjas, os mensaleiros. E o PT se vendeu instantaneamente ao capitalismo que tanto atacou. Obviamente que isso geraria dissidentes, afinal nem todos concordavam com toda bandalheira que existia. E saíram do PT Heloísa Helena, Luciana Genro e Chico Alencar, socialistas agora no PSOL. E saíram os intelectuais também: Francisco de Oliveira, Leandro Konder, Carlos Nelson Coutinho. E agora os ambientalistas (lê-se Marina Silva). E o que sobrou para o PT? Sobraram os sindicalistas: Lula, Mercadante, Dilma... Esses que todos nós conhecemos. Esses que se vendem pra empresários, recebem salários gordos e formam uma espécie de "Clube do Lulinha", onde tratam o voto popular como mero arrebanhamento de gado. Em suma, esse momento é um momento único: um presidente com mais de 80% de aprovação tem um partido fragilizado que gira em torno de si. Daí vem a boa notícia: esse fato é sinal de renovação no ar. God bless a oposição.

19 agosto, 2009

Santas do pau oco

No meio de toda lambança política que o Brasil vive (e aliás, sempre viveu), recentemente começou outra disputa a la 'Dilma x Lina', só que atingindo diretamente a nós, o povo: a disputa entre Globo e Record. Primeiro, quero deixar bem claro que não vim aqui defender nem uma nem outra. O jornalismo desde muito tempo é revestido por uma série de fatores pra acontecer: fatores sociais, culturais, econômicos, empresariais... Isso não é novidade. A Record dedicou no dia 12 de agosto uma matéria de 10 minutos num jornal, tempo igual ao que a Globo usou quando falou sobre os bispos corrúptos da Universal, e atacou árduamente a rival. O fato é o que todos sabem: nem uma nem outra são santas. A Globo é líder há décadas, e isso não foi milagre de Deus ou de Nossa Senhora. É bom lembrar que nos anos 70 a Globo recebeu apoio da ditadura, que sempre teve amparo de grupos políticos, que seus dirigentes tinham alianças partidarias que "respingavam" na transmissão da emissora. Com o tempo ficou incrustrado na cabeça do brasileiro assistir a Globo (ou você não ligava primeiro nela, quando não sabia o que ia assistir?). E o outro fato é que os bispos da Universal usam, sim, meios ilícitos pra fazer o que sempre fizeram: convencer as pessoas, de todas as formas, que investir todo o seu dinheiro na Universal é uma coisa boa (pra eles). Eles usam contas em paraísos fiscais, lavam dinheiro dos fiéis em empresas-fantasmas, enxem o saco dos volúveis pra que doem mais e mais dinheiro, e sempre conseguem mais fiéis pra fazer o ciclo girar. Isso não é novidade há muito tempo. O que, ao meu ver, desencadeou toda essa tensão, é que só agora a concorrente (e por consequência os outros meios também) conseguiu material suficiente pra provar as acusações. E haja contra-ataque. A Record tem tirado leite de pedra pra atrair a atenção do espectador. Vale tudo: imitar, apelar, persuadir, trocar programação ás pressas. E haja dinheiro investido. Dinheiro que, alias, nunca se explicou direito de onde vem - mas sempre foi óbvio pra qualquer um. A Globo é tendenciosa, sim, mas isso é caracteristica inerente a qualquer grupo de comunicação grande e influente. E assim como a Record também é, e agora finge que não é. Quando, há uns 2 anos atrás, se soube que a Globo teria uma concorrente de peso, eu pensei: "bom, com maior concorrência, melhor fica a qualidade". Será? De qualquer forma, eu não troco minha tv a cabo por nada.

14 agosto, 2009

O começo do começo

Ontem a noite eu acidentalmente entrei no noticiário da UOL e um vídeo chamou minha atenção. Eram vários estudantes na porta do Senado, e dois deles gritavam estridentemente por justiça, pelo fim da impunidade, pela limpeza do Congresso, inclusive citaram nomes e fatos, fizeram o maior show na frente de toda a imprensa nacional. Logo depois foram coagidos pelos policiais legislativos e levados até uma sala de prévia detenção no Senado. Segundo o Estadão, alguns senadores presentes ainda foram socorrer os estudantes - e, quem diria!, Eduardo Suplicy incluído nesses. Depois de muito furdunço, os estudantes foram liberados e até agora nada mudou na política nacional. Infelizmente (ao meu ver) isso não causou lá grande impacto, mas surpreende e até fascina saber que tá crescendo nos estudantes esse sentimento (mais que necessário) de que o povo tem, sim, voz ativa. Eram os mesmo estudantes que alguns dias atrás tentaram entrar no Congresso com 11 pizzas simbolizando os 11 arquivamentos do Conselho de Ética e no dia foram igualmente detidos. São manifestações pequenas, isso ninguém nega. Mas que serviu de exemplo, inclusive, pra cá pro Maranhão, visto que pretendem fazer uma passeata anti-Sarney no sábado (e que eu ainda vou decidir se apareço ou não hehe. desculpa, gente, mas eu tenho aula de inglês). O fato é que não há como esconder que os estudantes tiveram participação indispensável no processo de estabelecimento da democracia no país - basta lembrar as Diretas Já! ou o movimento Caras-Pintadas contra Collor. Enquanto tudo isso, o Senado continua se dividindo cada vez mais, "tropas de choque" são formadas entre oposição e governo, mais escândalos vem à tona pelos jornais, e Dilma continua negando tudo. Marina Silva começa a se consolidar como possível candidata, Ciro Gomes aumenta suas articulaçoes pra conseguir apoio político, deputados e senadores se mobilizam pra fazer valer suas idéias, Lula cada vez mais fica em cima do muro (mas sempre acenando pra Dilma e Sarney), e o PT começa a uniformizar suas opiniões. E os aliados de Sarney continuam fazendo de tudo pra mantê-lo no poder, tá valendo até legalizar os atos secretos. Ou seja, o cenário político de 2010 está se formando, se condensando. E antes de dar parabéns a todos aqueles que cultivam essa veia revolucionária social, eu peço que fiquem atentos. Porque, pelo andar da carruagem, ainda vem muita coisa pela frente. A conferir.

11 agosto, 2009

A coisa tá feia pra 2010

É crise de Alzheimer generalizada em Brasília. Como se já não bastasse os escândalos do Congresso, vem por aí mais pataquadas governamentais, dessa vez da Casa Civil. A ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira agora vive em constante bate-boca com a ministra Dilma, porque, segundo a primeira, Dilma a chamou pessoalmente para uma conversa particular e pediu que ela desse uma ajuda pra alguns amiguinhos de Dilma, como Sarney e os dirigentes da Petrobrás, sabe, corrupção pequena. Coisa pouca. Acontece que não, Lina Vieira não fez nada disso e, pelo contrário, atrapalhou os esquemas todos e acabou sendo demitida. Aí chega a mídia, e ela abre a boca, conta tudo mesmo. Resultado: Dilma Rousseff na mesma hora foi para a televisão dizer que tudo é mentira, que nada aconteceu. É um caso até interessante pra se analisar. Eu procurei e ouvi, pela internet, a entrevista de Lina e percebi que ela dava realmente muitos detalhes do dia do encontro. Ela declara inclusive a cor da roupa da ministra. Um ponto contra é que quase ninguém presenciou esse encontro, a não ser o porteiro. Bem, mas quer dizer que só por isso ele não aconteceu? A julgar pelo passado "verdadeiro" de Dilma, eu juro que prefiro não acreditar na nossa nobre petista. Só pra exemplificar: quando estorou o caso dos cartões corporativos, ela foi acusada de montar ilegalmente um dossiê contra FHC. Foi dito que ela se reuniu com vários empresários e claramente contou que juntaria, sim, um dossiê, inclusive isso foi até confirmado por vários dos presentes no encontro. Ela logo foi à mídia negar tudo. Outro exemplo: recentemente foram analisar o currículo de Dilma no banco de dados internacional, e descobriram que quase tudo era falso. Ela não tem nem mestrado, nem doutorado, nem nada assim, como tava lá escrito no currículo. Quando questionada, ela disse que não sabia de nada (olha o Influenza Lula aí) e que poderia ter sido um engano de seus assessores. Engano? Dilma já foi no programa Roda Viva, lá foi lido o currículo na frente dela (como sempre fazem) e ela nem sequer manifestou surpresa sobre alguma informação errada. E agora disse que não sabia. Bom, acredite quem quiser. Enquanto isso, Lula dispõe de mais de 70% de aprovação pública. E só crescem os rumores de que Dilma vai se eleger. É esse tipo de representante que o Brasil precisa? Bem, eu já até desisti de falar sobre isso. Parece que ninguém mais se importa, mesmo. Não é à toa que a política brasileira é vergonhosa, afinal, cada país tem o presidente que merece, certo?

08 agosto, 2009

Metáfora da política, Parte 1

Recentemente eu li na National Geographic que certos físicos conseguiram aumentar a velocidade da luz. Eles passaram um jato de luz por um feixe de átomos de Césio, e descobriram que a luz passa tão rápido que parece que chegou antes de sair. Ou que sumiu no meio do caminho, e subitamente reapareceu do outro lado. Ou seja, a luz no Césio é mais rápida que no vácuo. Aqui no Brasil, dá pra trocar o feixe de luz por "escândalos" e medir a velocidade com que somem, dependendo do meio. Alguns vem e terminam antes de começar. Outros somem mas voltam, e exigem explicação. A diferença no Brasil é que no fim, tudo termina do mesmo jeito - em pizza, em nada, em marmelada, ou qualquer outra conotação regional que seja. Misteriosamente no Brasil, o meio o absorve, desvia, engaveta e mata o feixe de luz. Ou se perde em meio a um bolo de interesses, polícia conivente e "imprensa amiga" ou se desintegra pelos interesses contraditórios, polícia ativa e imprensa, bem... não tão amiga. A constante da equação é que, no final, tudo se iguala a zero. Talvez tenha alguma explicação pra essa distância entre crime e castigo, fato para efeito. Como jornalista, eu preciso defender: não é o meio. É esse vácuo moral que todos nós - nós, sim - estamos acostumados a viver, com essa impunidade acumulada e mantida cinicamente por quem escolhemos para manter. Bom, sinceramente, chegamos a um ponto em que uma investigação chegar ao final ou uma punição ser aplicada severamente soa pra nós um pouco meio... sobrenatural.

05 agosto, 2009

O velho Sarney de sempre

Nesse dia 5 de Agosto, Sarney chegou à tribuna do senado trêmulo e nervoso, e discursou como sempre fez: com ar de surpreso como se todas aquelas acusações arduamente ouvidas pela mídia fossem coisa de outro mundo. E ainda fez questão de frisar que não entendia porque tanta tempestade sobre sua pessoa. E qual é a novidade, afinal? Ele só fez o que sempre fez durante toda a sua vida política. Sarney elegeu-se pela primeira vez pelo PSD na década de 50. Quando a coisa ficou feia pra ele, mudou para a UDN e, durante a ditadura, pra Arena (partido dos militares), onde ficou até o fim de seu mandato presidencial, e em seguida se bandeou pro PMDB, que entrava em ascenção social. Durante toda essa trajetória (que ele diz ser uma épica trajetória de vida, ou, como ele diz, "memorável") Sarney sempre foi "memorável" justamente por tudo que hoje é notável: ser coronel, ser dupla-face, uso de dinheiro público de forma errada, abuso de poder... E por aí vai, o que todo mundo já sabe. Alías, corrigindo: todo mundo não; incrívelmente o Amapá pegou a Sindrome de Lula ("não sei de nada", "não vejo nada"). Pior pra eles, e pra nós, que temos que aguenta-lo no poder. O que é engraçado é que passou-se a cobrar tudo isso de Sarney como se ele fosse o primeiro - ou como se fosse a primeira vez que ele comete esses abusos. Sarney é o velho coronel que sempre defendeu a ditadura. Foi incrívelmente xingado de ladrão e incompetente por Collor e Lula, durante as camapnhas eleitorais. Depois, com Itamar Franco, ele decidiu ser a favor de todos os presidentes, e assim o faz desde então. Fora isso, tem dedicado seu resto de vida política a construir as dos filhos -diga-se de passagem: pior pra nós. Decidiu também imortalizar-se em um monumento público. (Oh, que surpresa. Tinha que ser.) Em resumo, o bom e velho Sarney de sempre. As novas gerações deveriam acordar pra esse fato: o velho Sarney não mudou em nada. Pelo contrário, ele sim deveria atentar pro fato de que os tempos mudaram. Blogs, twitter, sites, jornais online, tudo isso impede que ele abafe os casos criminais como sempre fez. Será essa a razão de ele subir numa tribuna tão nervoso como o fez hoje? Bem, é melhor ele abrir o olho. Uma hora vem um cometa e acaba até com o último dinossauro ainda vivo na política brasileira.

16 julho, 2009

Harry Potter e Nenhum Enigma do Príncipe

Quando chega algum novo lançamento de Harry Potter, vem aquela sensação de "meu deus, eu já comentei tudo que poderia comentar sobre isso, e agora?". Bom, surpresa: HP6 dá grande material pra fazer bons comentários. A princípio, eu quero deixar bem claro que adorei o filme. Adorei o modo sombrio, lúgubre com que a fotografia do filme foi feita, um tom de mistério, de inquietação. A grande sacada desse episódio da série é dar à história um clima mais adulto. Finalmente conseguiu-se que Harry Potter desse o seu grito de independência e que deixasse de ter aquela cara de "adaptação para o cinema", para incorporar um caráter muito mais "cinema" propriamente dito. Os personagens começam a ficar mais complexos, a história começa (finalmente) a ter um enredo mais dinâmico, mais implícito nas falas, nas atitudes dos personagens. É, na minha opinião, o primeiro filme da série que se aguenta sozinho como uma obra cinematográfica, por mais que precisa-se saber da história previamente. Foi, sem dúvida, um dos melhores da série até então. Isso se deu principalmente pela chegada do diretor David Yiates à série. Ele vem de uma vasta experiência na televisão inglesa, com séries ÓTIMAS como Sextraffic e A Garota do Café, e ele tem a capacidade de passar uma gravidade, um peso á cena. Isso é um ponto extremamente positivo e inovador em se tratando de Harry Potter. Mas aí é que entra o "mas". Ahhhhh, sempre tem um "mas". Confissão: eu fico extremamente revoltado vendo Harry Potter porque há erros ÓBVIOS e BRUTAIS que parece que passam imperceptíveis aos olhos de todos os diretores. "E o que isso tem a ver com o passado do David Yiates?", você pergunta. Muita coisa! Esse anseio do David por fazer cenas carregadas, ardentes de presságios, foi totalmente castrada no 5º filme da série justamente pelo egocentrismo dos produtores, que sempre manipulam o rumo que o episódio deve tomar, e há tempos vinham tentando dar esse caráter de divisão cinema/livro para o Harry Potter, mas não conseguiam. No 5º episódio, acharam que o David conseguiria fazer isso e entregaram a ele a direção, mas continuaram dando pitaco ao decorrer do filme. Já nesse, os produtores decidiram dar a liberdade que o David precisava para transformar a série do jeito que ele queria. Porém, o filme voltou a cometer duas gafes que vem se repetindo desde o 3º episódio: parece que omitem partes do livro nos filmes, e deixam essas partes simplismente sem nenhuma explicação. Resultado: há certos acontecimentos que ficam sem nenhuma razão, como por exemplo a trama do Enigma do Principe, que dá nome ao filme. Ela sofreu alguns cortes pra dar mais espaço a outras tramas do livro, e foi simplismente ignorada no final. Eu saí completamente sem entender o que tanto então era esse Enigma, já que, PASMEM, não teve enigma nenhum. Esse detalhe foi simplismente negligenciado. Outra gafe básica da série são os finais inacreditavelmente inesperados. Não no bom sentido. Eu falo no sentido de você estar esperando ansioso por algo, e de repente o filme acaba e você fica "nossa... que broxante". Não sei porque desde o HP4 eu tenho essa sensação, mas eu espero que passe nos próximos filmes. No mais, o filme merece, sim, seu crédito. Eu até chego a dizer que a partir daqui a série começa a ter um apecto mais "Senhor dos Anéis", e olha que isso é um TREMENDO elogio. E uma novidade em primeira mão: devido ao grande resultado positivo que o David Yiates trouxe ao HP, ele foi incubido de dirigir o próximo episódio, que dividirá o 7º livro em dois. Ou seja, serão 7 livros e 8 filmes. Se continuar no mesmo ritmo, eu aposto bastante que os próximos episódios enfim alcançarão o resultado que Harry Potter merece.
Estrelinhas de ouro para: os efeitos especiais de Harry Potter; o Michael Gambon, que aparece mais que todo mundo no filme e realmente dá um show de interpretação; a trilha sonora, que começou perfeita nos episódios 1 e 2, mas que nos outros tava realmente uma droga, voltou a seu estado inicial de qualidade.

07 julho, 2009

Pondo o Jornalismo na prática


Valesca Popozuda arrebitou bumbum com fios de ouro, diz jornal.


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Responda depressa: qual o melhor comentário sobre a notícia acima?

a) Tem gente que não sabe onde enfia o dinheiro. Aliás, sabe.

b) Fala a verdade, economista: essa de aplicar ouro na poupança nem você conhecia, né?

c) Agora, literalmente, se derreter, dá um anel.



01 julho, 2009

Clipes, Comerciais, Cavalos e Cretinisse.

É, eu concordo com alguns comentários que recebi via msn. Falar de política e sociedade toda hora cansa. Então, eis que meu novo post falará sobre algo que com certeza vão me xingar por isso hehehe. Eu andei assistindo uns clipes muito detalhadamente e percebi umas coisas que queria compartilhar com o pessoal que vem aqui no meu humilde blog. Vo tentar ser breve nos meus comentários:

Radar - Britney Spears
Eu, que esperei tanto por esse clipe (desde Blackout) realmente fiquei descepcionado. Não que o clipe não esteja bom! Quer dizer, realmente não tá bom, mas tem lá suas qualidades. Eu que sou ÁRDUO fã da Britta posso dizer com total segurança: é o pior clipe dela desde Anticipating(alguém conhece esse?). Ela tá linda, o cenário tá lindo, a idéia do clipe foi ótima. Mas po, convenhamos que cavalos e Cricket não combinam com a música! Radar merecia um clipe altamente colorido, sexy, cheio de movimento e etc e tal. Além do mais, a história do clipe 1) é fraquinha, 2) é clichê, 3) é confusa, pq eu tenho certeza que quase ngm sacou de primeira qual é o grande lance do clipe. Bom, eu entendi o seguinte: ela começou "namorando" um cara, que encheu ela de presentes, mas na verdade ela tava afim de outro, que tava no radar dela, e acabou fugindo depois com esse cara. Acertei? Se não, bem, paciência...

Hush Hush - Pussycat Dolls
Campari? Nokia? HP? Num clipe das PCD? Como assim, po? Elas tão pobres ou o q? Sinceramente eu acho ridículo que uma banda do porte das PCD aceite fazer propaganda barata e DESCARADA num clipe que tinha tudo pra ser perfeito como Hush Hush, se não fosse aquele começo nada-a-ver na banheira e essas propagandas idiotas. Graças a deus a Britney nunca precisou fazer propaganda descarada nos clipes. Olha, já é a segunda vez que isso acontece! Em Jai Ho, DO NADA a louca loira lá pega um celular nokia e começa a filmar a dança... Pra que? Pra nada! aff. AFFÃO. Bom, mas fora esse estresse, sim, eu gostei de Hush Hush. Achei bacana a ideia de um clipe em Remix com outra música. Pelo menos nisso elas acertaram! :P

Papparazzi - Lady (C)Gaga
Sem dúvida é o melhor dos 3 clipes. A Lady Caga tem aquela mania de ser bizarra, de botar coisas estranhas no clipe dela, mas ela (pela primeira vez) conseguiu dosar bem as medidas e fazer um video notavelmente relevante. Vejam bem: eu digo 'relevante', porque todos os outros clipes dela foram só uma forma dela aparecer na MTV e vender cds, afinal, MTV não é uma rádio, né? Bom, todo mundo sabe que eu nao sou nem um pouco simpatizante da Lady Gaga, mas dessa vez vou dar crédito a ela. O clipe ficou bem original, o começo do clipe (quando ela tá com aquele cara e ele joga ela da sacada), aquilo foi bem criativo, muito bem feito. A música não ajuda né, ela tentando balbuciar "papparazzi" chega a ser irritante em algumas horas, mas quem caga? Se o clipe for de qualidade, a música pode ser a merda que for.

O vídeoclipe tem esse poder, e na verdade esa é a principal função dele: dar um rosto á música. Não é só pra fazer graça que as (realmente) cantoras como Madonna, Christina, Britney, Mariah, investem MUITO dinheiro em bons produtores e diretores. Pena que até esses agora tão se deixando corromper pela mediocridade. Pobre nova geração...